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FC Paços de Ferreira: Sócios decidem na sexta-feira entrada do capital da PMK na criação da SAD

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Rui Abreu, presidente do FC Paços de Ferreira, explicou aos associados os contornos do negócio da SAD que irão a votação na próxima sexta-feira

O FC Paços de Ferreira deu a conhecer, esta terça-feira, os contornos financeiros e estruturais da proposta de parceria estratégica com a PlayMakers Sports Business (PMK), que visa a transformação da SDUQ em Sociedade Anónima Desportiva (SAD). O projeto foi apresentado aos associados no Parque de Exposições da Associação Empresarial e inclui uma injeção de capital imediata e um plano detalhado para que a PMK possa assumir até 80% do capital da nova sociedade. Os sócios têm três dias de reflexão antes da votação final, agendada para esta sexta-feira.

O plano apresentado em primeira mão define um novo paradigma de gestão para o emblema da Capital do Móvel, focando-se na profissionalização das operações, na liquidação de passivos e num roteiro desportivo ambicioso para os próximos três anos.

Investimento e Aquisição de Capital por Fases

O modelo financeiro acordado com a PMK, empresa do brasileiro Paulo Assis que esteve ligado à criação das sociedades desportivas do Cruzeiro e América-MG, não se baseia num valor fixo de investimento inicial, mas sim num plano faseado de aquisição de capital social da nova SAD e de compromissos financeiros claros:

  • Injeção de Capital (Época 2025/2026): O acordo estipula uma injeção de capital no valor de 1 250 000€, dos quais 500 000€ já foram recebidos pelo clube.

  • Aquisição Faseada de Capital: A PMK poderá adquirir até um máximo de 80% do capital social da SAD através de um plano dividido em três fases:

    • Fase 1 (Início): A PMK assume 49,90% do capital, enquanto o clube mantém a maioria com 50,10%.

    • Fase 2 (Até dezembro 2028): A PMK tem a opção de exercer a “Opção 1”, adquirindo mais 15,10% do capital por 1 500 000€. Com isto, a PMK passa a deter a maioria, com 65% do capital, e o clube fica com 35%.

    • Fase 3 (Até dezembro 2029): A PMK tem a opção de exercer a “Opção 2”, adquirindo os restantes 15% do capital também por 1 500 000€, perfazendo um total de 80% para a PMK e 20% para o clube.

Salvaguardas e Gestão de Passivo

O contrato prevê mecanismos de proteção para o clube face a cenários de risco, tanto financeiros como desportivos:

  • Gestão de Passivo: O valor de referência para o passivo foi estabelecido em 5 600 000€. Se o passivo acumulado for superior a este montante, o valor excedente será deduzido na opção de investimento 1, funcionando como uma cláusula de proteção financeira para o clube.

  • Risco Desportivo: A PMK reserva-se o direito de desistir do negócio caso o FC Paços de Ferreira sofra uma despromoção à Liga 3 nesta temporada. Mais ainda, se a despromoção à Liga 3 ocorrer na temporada 2025/26, a PMK poderá exercer a “Opção 1” de aquisição de capital (15,10%) pelo valor simbólico de 1€.

Estrutura de Governação e Divisão de Operações

A nova SAD será gerida por um Conselho de Administração composto por cinco elementos, com uma cláusula de diversidade que exige a inclusão de, pelo menos, duas mulheres no órgão. A estrutura de poder será a seguinte:

  • Presidente: Indicado pelo clube.

  • Administração: Composta por um administrador indicado pelo clube e três indicados pela PMK.

O acordo estipula que a PMK assume a responsabilidade exclusiva pela elaboração e execução dos orçamentos da sociedade, e o clube fica dispensado de realizar quaisquer entradas de capital na SAD. A PMK compromete-se, contratualmente, a liquidar o passivo do clube num prazo de cinco anos, assegurando ainda a proteção aos fornecedores locais.

A divisão de competências mantém o controlo da SAD sobre as equipas seniores masculinas, a equipa B ou Sub-23 (caso a SAD opte pela sua criação) e os Juniores A. O clube manterá a gestão direta das equipas femininas, futsal, futebol masculino de formação (até aos juvenis), veteranos e bilhar.

O roteiro traçado para as próximas três épocas prevê a consolidação competitiva e equilíbrio financeiro em 2026/27, a constituição de um plantel para lutar realisticamente pela subida em 2027/28, e o regresso à Primeira Divisão em condições financeiras saudáveis na época 2028/29.

A decisão final sobre o futuro da estrutura jurídica do clube está agora nas mãos dos associados, que votarão o projeto na assembleia marcada para esta sexta-feira.

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