A Assembleia Geral de 24 de abril passado, que aprovou a criação da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do FC Paços de Ferreira, está longe de ser um assunto encerrado para os antigos presidentes Moreira Lobo e Fernando Sequeira.
Recorde-se que o processo de escrutínio foi marcado pela incerteza: a primeira contagem deu a vitória ao “sim” por uma margem de apenas 13 votos. Dias depois, a Mesa da Assembleia Geral emitiu um comunicado onde reconheceu um erro no registo dos resultados numa das mesas de voto. Após a retificação, a vitória do “sim” à SAD confirmou-se, mas por uma margem ainda mais estreita: apenas quatro votos de diferença.
Perante este cenário, os dois ex-dirigentes confirmaram o recurso à via judicial para clarificar o processo. Numa carta aberta agora dirigida aos associados, Moreira Lobo e Fernando Sequeira revelam que só retirarão a ação judicial caso a Mesa da Assembleia Geral convoque uma Assembleia Extraordinária para proceder a uma nova votação sobre a constituição da SAD.
Esta tomada de posição surge num momento crítico para o clube. Os investidores brasileiros da PMK Sports já se encontram a trabalhar na estrutura do Paços de Ferreira e avançaram com o financiamento necessário para viabilizar a inscrição e participação do clube na Liga 3, cuja nova temporada arranca já no próximo dia 9 de agosto.
Teor da Carta Aberta tornada pública:
Caros Associados,
Dirigimo-nos a todos vós com sentido de responsabilidade, mas também com profunda preocupação e tristeza.
Após a Assembleia Geral Extraordinária de 24 de abril de 2026, e perante as graves dúvidas levantadas quanto ao processo de votação, contagem e apuramento dos resultados, os ora signatários encetaram todos os esforços possíveis para que a situação fosse resolvida de forma interna, transparente e digna da história do nosso Clube.
Nesse sentido, promovemos reuniões com a Mesa da Assembleia Geral, enviámos diversas comunicações formais e, acima de tudo, apresentámos um pedido de convocação de uma nova Assembleia Geral Extraordinária, subscrito por um número significativo de associados, com o único objetivo de permitir que todos os sócios pudessem ser ouvidos e que a verdade fosse apurada de forma clara e inequívoca.
Infelizmente, todas estas diligências foram ignoradas ou indeferidas pelos órgãos sociais competentes, que não demonstraram a capacidade nem a abertura necessária para resolver internamente um problema que exige transparência, rigor e respeito pelos associados.
Lamentamos profundamente que assim tenha sido.
Lamentamos, sobretudo, que os órgãos sociais do Clube não tenham estado à altura da responsabilidade que lhes foi confiada, nem tenham sabido encontrar, dentro da própria instituição, uma solução que evitasse a exposição pública e o recurso a meios externos.
Perante este bloqueio total e a ausência de alternativas credíveis, não restou aos signatários outra opção senão recorrer aos Tribunais, como último recurso, para defesa da legalidade, da transparência e dos direitos de todos os associados.
Esta decisão não foi tomada de ânimo leve.
Foi ponderada, refletida e assumida com a plena consciência de que representa um momento difícil para o Clube.
Mas foi também tomada com a convicção de que, acima de tudo, importa preservar a verdade, a confiança dos sócios e o futuro da instituição que todos partilhamos.
Mantemo-nos, contudo, confiantes de que irá imperar o bom senso e que os órgãos sociais do Clube convocarão uma nova Assembleia Geral Extraordinária, em horário adequado e com um processo de escrutínio transparente, rigoroso e acompanhado pelos sócios, permitindo dissipar definitivamente as dúvidas suscitadas quanto à votação e ao apuramento dos resultados da última Assembleia Geral Extraordinária.
Fiéis aos princípios democráticos que regem a vida associativa do Clube, respeitaremos integralmente o resultado que vier a emergir da livre e legítima expressão da vontade dos sócios, seja ele qual for.
Nesse sentido, convocada que seja uma nova Assembleia Geral Extraordinária, comprometemo-nos, desde já, a pôr termo imediato a todas as iniciativas judiciais em curso.
Apelamos, por isso, à união, à participação ativa e ao sentido crítico de todos os associados neste momento determinante.
O Clube pertence aos seus sócios — e só com o seu envolvimento poderá garantir-se que as decisões que moldam o seu futuro são legítimas, esclarecidas e verdadeiramente representativas da vontade coletiva.
Com respeito e espírito construtivo,
Os sócios
José Fernando Leitão Sequeira
José Manuel de Magalhães Moreira Lobo

