Dezanove enfermeiros do Serviço de Cirurgia I da Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa (ULSTS), ao serviço no Hospital Padre Américo, em Penafiel, pediram escusa de responsabilidade, devido à falta de profissionais no serviço, para que possam prestar “cuidados de saúde de qualidade e com a segurança exigidas”.
No documento a que o Jornal IMEDIATO teve acesso, os profissionais de saúde alertam para o facto de a lotação no serviço ser superior a 100%, “com doentes alocados no corredor” e sem que tenha sido aumentado o número de enfermeiros por turno. Além disso, segundo um profissional do serviço, há também falta de profissionais especializados”, nomeadamente enfermeiros de reabilitação, já que só existe um no serviço, quando as diretrizes da Ordem apontam para dois profissionais para cada 15 doentes.
Perante esta insuficiência de meios, num serviço onde os doentes têm idades elevadas, são mais dependentes, com comorbilidades associadas e em recuperação de cirurgias complexas, os profissionais garantem que o serviço não apresenta “a dotação adequada” de profissionais, o que “coloca em risco a prática adequada da profissão”.
Assegurando estarem “a desenvolver todos os esforços que de si dependem para prestar os melhores cuidados de enfermagem”, declinam responsabilidades por “acidentes ou incidentes” que possam ocorrer. “Estes devem ser imputados as decisões de gestão da ULSTS, em particular quanto à insuficiência de meios humanos de enfermagem”, asseguram.
Em declarações ao IMEDIATO, um dos profissionais que subscreveu o documento, denuncia ainda falta de recursos materiais, nomeadamente de cadeirões (no serviço, para 26 doentes, existem nove cadeirões), campainhas, material de penso e a medicação “vem a conta gotas”. “Não podemos tratar os doentes convenientemente ou temos que ir a outros serviços pedir material”, referiu.
“Atingimos o ponto de rotura e sentimos que estamos a ser utilizados para poupar dinheiro, à custa do nosso risco laboral, porque se acontecer alguma coisa é a nós que nos vão culpar”, concluiu.
ULSTS vai contratar mais enfermeiros
Contactada pelo Jornal IMEDIATO, a ULSTS reconhece “dificuldades em matéria de escassez de recursos humanos em todo o SNS” e assegura que vai reforçar o número de profissionais, estando em curso um procedimento de contratação de seis enfermeiros que serão afetos ao Serviço de Cirurgia e que deverão iniciar funções no mês de maio. Além desses, serão ainda contratados mais 120 enfermeiros, no âmbito do Plano para a Resposta Sazonal em Saúde, “um sinal claro do esforço que o atual Conselho de Administração tem feito no sentido de reforçar e estabilizar as equipas”, frisou.
Apesar de admitir que “em períodos de maior pressão assistencial pode ocorrer uma taxa de ocupação superior à lotação base”, o que obriga a recorrer a camas suplementares, a ULSTS assegura que ainda há “caminho a percorrer”, mas “tem havido uma evolução positiva na dotação das equipas, traduzida num incremento significativo de profissionais e numa melhoria percentual da cobertura das dotações seguras”.
Relativamente à ocupação do serviço, confirma e que, em períodos de maior pressão assistencial, pode ocorrer uma taxa de ocupação superior à lotação base, com recurso pontual e temporário a camas suplementares, mas assegura que essa resposta está “prevista” nos planos de contingência, e é utilizada de forma a garantir “acesso e a continuidade dos cuidados de saúde à população”. “Tal prática configura uma medida excecional e transitória, acompanhada da adequação dos recursos humanos e organizacionais”, afirma a ULSTS.
Quanto à falta de material clínico, a ULSTS esclarece que são “situações pontuais”, relacionadas com processos logísticos e de aprovisionamento e que tal “não compromete, de forma generalizada, a segurança ou a qualidade dos cuidados prestados”.
No final, garante que continuará “a monitorizar de forma próxima a evolução das condições assistenciais, mantendo o seu compromisso com a transparência, a responsabilidade institucional e a implementação de soluções sustentáveis que respondam às necessidades da população, sem prejuízo da avaliação contínua das necessidades e da adoção das medidas que se revelem adequadas à salvaguarda da qualidade e segurança dos cuidados”.
