A Diocese do Algarve recebeu oficialmente, este sábado, D. Vitorino Soares como o seu novo bispo. A cerimónia solene decorreu na Sé Catedral de Faro, reunindo os altos dignatários da Igreja Católica, autoridades civis, militares, académicas e dezenas de fiéis e conterrâneos que quiseram acompanhar de perto este momento expressivo para a região.
Natural de Luzim, no concelho de Penafiel, D. Vitorino Soares chega ao sul do país após ter desempenhado funções como bispo auxiliar da Diocese do Porto. Na sua intervenção de início de ministério episcopal, o prelado assinalou a responsabilidade de suceder a D. Manuel Quintas, de quem pediu o «manto de sabedoria, fortaleza e prudência».
«Sem amor a Cristo, não existe verdadeiro ministério»
A homilia de D. Vitorino Soares foi marcada por uma profunda reflexão pastoral, pautada pela humildade, escuta e pelo apelo à comunhão. Inspirando-se no Evangelho e na história secular da diocese algarvia, o novo bispo sublinhou as linhas orientadoras do seu serviço:
-
Serviço e proximidade: «Na Igreja, a autoridade nunca é domínio, é serviço. O governo nunca é poder, é cuidado. A grandeza nunca consiste em ser servido, mas em servir».
-
Amor a Cristo como essência: «Sem amor a Cristo, não existe verdadeiro ministério. Sem amizade com Cristo, o pastor transforma-se em simples gestor. Sem oração, a missão torna-se um peso».
-
Construção comunitária e diálogo: «Nenhuma mão sozinha é suficiente para aguentar o peso dos desafios que assolam o mundo, mas também nenhuma mão é tão fraca que não possa dar o seu contributo».
-
Uma Igreja acolhedora: «Uma Igreja onde ninguém se sinta excluído é um esforço para todos os batizados. (…) O Algarve é uma terra de encontro, aberta ao mar, onde vivem diferentes culturas e credos religiosos».
-
Paredes vivas da fé: «Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem. (…) Chego como sucessor dos apóstolos, não para iniciar uma obra que me pertence, mas para servir a obra que é de Deus».
Ao longo da celebração, o novo bispo dirigiu saudações especiais aos sacerdotes, leigos, jovens e à comunidade de migrantes e visitantes, sublinhando que assume o encargo com abertura para construir uma «Igreja viva, acolhedora e de portas abertas» no Algarve
