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Corrida ao futebol português: capital estrangeiro já entra na Liga 3 e atrai clubes

FotoBola Liga3

Comprar em baixo, investir um ou dois milhões em duas ou três épocas, subir de divisão e vender com mais-valia é a estratégia empresarial no futebol

O futebol português vive uma transformação profunda e irreversível na estrutura de propriedade dos seus clubes. Segundo um levantamento publicado na edição desta semana do jornal Expresso, cerca de duas em cada três equipas que disputam as ligas profissionais (I e II Liga, excluindo as equipas B) têm capital estrangeiro na sua estrutura. No entanto, o apetite dos fundos e investidores internacionais deixou de se limitar à elite do futebol nacional e está a descer a pirâmide competitiva, colocando já a Liga 3 e os escalões inferiores como alvo das intenções do mercado.
O fator preço tem sido o motivo principal, considerando-se que “é barato” comprar um Clube em Portugal.

O Fenómeno na Liga 3 e a Transição do FC Paços de Ferreira

O caso do FC Paços de Ferreira é um dos mais notórios do atual momento. Após a despromoção à Liga 3 esta temporada, o clube pacense encontra-se em processo de alteração do seu modelo societário para a constituição de uma Sociedade Anónima Desportiva (SAD), com o objetivo de permitir a entrada de investimento privado.

Esta atratividade pelos escalões inferiores assenta numa lógica financeira de retorno apetecível:

Na entrevista ao «Expresso», Fernando Veiga Gomes, especialista em direito do desporto na Abreu Advogados, a lógica do investidor é clara: “Comprar em baixo, investir um ou dois milhões em duas ou três épocas, subir de divisão e vender com mais-valia ou manter um ativo valorizado”. Este modelo tem levado fundos e empresários a procurar ativos não só na Liga 3, mas também no Campeonato de Portugal e nos distritais (com exemplos como o Cascais, Real Massamá, Ovarense e Sintrense).

Panorama Global: Quem Manda na I e II Liga?

A tendência de internacionalização é transversal a todo o mapa do futebol nacional:

Multipropriedade e Alertas do Regulador

O afluxo de capital insere-se num movimento global de multipropriedade. Segundo a UEFA, existiam no final de 2025 mais de 345 clubes em todo o mundo integrados em redes com donos comuns.

Porém, este crescimento levanta sérios desafios de fiscalização:

  1. Fiscalização do IPDJ: O Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) abriu 30 processos de contraordenação nos últimos três anos por incumprimento das regras de transparência e idoneidade.

  2. Dificuldades Operacionais: O regulador admite complexidade extrema na auditoria a investidores com estruturas em jurisdições de baixa tributação.

  3. Riscos no Desporto: Especialistas como a jurista Fátima Ribeiro e o professor do ISEG António Samagaio alertam para potenciais conflitos de interesse na transferência de jogadores entre clubes do mesmo dono, além da vulnerabilidade a fenómenos de branqueamento de capitais e perda de identidade cultural e ligação com os adeptos.

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