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ANMP exige maior autonomia financeira em cenário de recuperação das contas municipais

ANMP final

Pedro Pimpão, presidente da ANMP, sublinha que a palavra-chave para o futuro é "autonomia financeira", rejeitando "meros remendos" ou alterações pontuais na lei vigente. (FOTO: Página FB da ANMP)

Com o saneamento financeiro de vários concelhos e a redução da dívida municipal em 50% na última década, os autarcas reivindicam agora uma maior participação nas receitas do Estado para garantir o investimento público.

Recuperação Financeira: O Exemplo de Paços de Ferreira

Após uma década de intervenção, o cenário das finanças locais em Portugal regista uma melhoria significativa. O Fundo de Apoio Municipal (FAM) viu a sua lista de municípios intervencionados encurtar, com quatro autarquias a conseguirem abandonar o programa de resgate devido à consolidação das suas contas.

O município de Paços de Ferreira é citado como um dos exemplos de sucesso nesta transição, tendo deixado de estar, desde o final de 2021, sob a alçada deste mecanismo de assistência financeira, tal como Portimão, Aveiro e Alandroal. Estas saídas acompanham uma tendência nacional de rigor, onde a dívida total dos municípios em resgate baixou de seis mil milhões para três mil milhões de euros, e os pagamentos em atraso caíram 93%.

A Proposta da ANMP: Fundo de Desenvolvimento Municipal

Perante este novo fôlego financeiro, a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) defende que o atual regime jurídico “já não serve” as necessidades das populações. A associação apresentou uma proposta ambiciosa para a revisão da Lei das Finanças Locais, assente em três pilares fundamentais:

O Papel dos Municípios no Investimento Público

A urgência destas medidas é justificada pelo peso das autarquias na economia nacional: as câmaras municipais são atualmente responsáveis por 48% do investimento público em Portugal. Pedro Pimpão, presidente da ANMP, sublinha que a palavra-chave para o futuro é “autonomia financeira”, rejeitando “meros remendos” ou alterações pontuais na lei vigente.

Apesar da clareza das propostas, existe divergência quanto ao processo legislativo. O Governo nomeou um grupo de trabalho para a revisão da lei, mas a ANMP manifestou “estranheza” por ser mantida apenas como observadora, e não como participante permanente nas decisões.

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