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Afonso Eulálio faz história no Giro d’Italia: camisola branca e 6.º lugar na geral

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Afonso Eulálio e o sorriso que se tornou imagem de marca do ciclista português no Giro 2026

Academia Pro. Albino de Matos

O ciclista português Afonso Eulálio (Bahrain-Victorious) confirmou este domingo em Roma uma prestação histórica na 109.ª edição da Volta a Itália. Após a conclusão da 21.ª e última etapa, com chegada à capital italiana, o jovem corredor de 24 anos garantiu a conquista da camisola branca (classificação da juventude) e o 6.º lugar na classificação geral individual, a 9 minutos e 39 segundos do vencedor, o dinamarquês Jonas Vingegaard.

Eulálio tornou-se o quarto português de sempre a terminar o Giro d’Italia no top 10, juntando-se a Acácio da Silva (7.º em 1986), José Azevedo (5.º em 2001) e João Almeida (4.º em 2020, 6.º em 2021 e 3.º em 2023).

Dez dias de rosa e um “milagre” à 5.ª etapa

Afonso Eulálio partiu para este Giro com o estatuto de gregário para os líderes Santiago Buitrago e Damiano Caruso. Contudo, a desistência precoce de Buitrago logo na segunda etapa forçou a Bahrain-Victorious a redefinir a sua estratégia.

À quinta etapa, disputada a 13 de maio, o ciclista natural de Canosa (Figueira da Foz) integrou a fuga do dia e assumiu inesperadamente a liderança da prova. Eulálio segurou a prestigiada camisola rosa durante dez dias, perdendo-a apenas na etapa de Pila. Com este feito, tornou-se no segundo português com mais dias na liderança do Giro — superado apenas por João Almeida — e elevou Portugal à condição de país que mais dias liderou a prova sem nunca a ter ganho (26 dias no total acumulado de atletas).

“Sofremos imenso durante estas três semanas, mas chegámos ao final e temos algo em mãos. Nunca estive em Roma. Para mim é um recorde acabar a etapa… e acabar o Giro”, afirmou o corredor no final da tirada de sábado.

A consagração em Piancavallo

Na penúltima etapa, Eulálio tinha a missão de defender a camisola branca face aos ataques do italiano Davide Piganzoli (Visma-Lease a Bike), que se encontrava a cerca de um minuto de distância. Contando com o apoio experiente do veterano Damiano Caruso, o português soube gerir o ritmo na subida a Piancavallo e, após responder a uma forte aceleração de Piganzoli, desferiu um contra-ataque nos quilómetros finais para cruzar a linha de meta a solo, selando o triunfo na juventude.

Histórico de Camisolas Portuguesas em Grandes Voltas

A conquista da camisola branca por Afonso Eulálio representa a terceira vez que um ciclista português vence uma classificação secundária numa Grande Volta:

Do BTT ao WorldTour via Facebook

Nascido a 30 de setembro de 2001, Afonso Eulálio iniciou o seu percurso desportivo no BTT. A transição para o ciclismo de estrada ocorreu em 2018 por iniciativa de António Amorim (atual massagista da EF Education-EasyPost), que detetou o potencial do atleta através de pesquisas de resultados na Internet e o contactou via Facebook para integrar o Sport Ciclismo São João de Vêr.

Após uma época de afirmação em 2024 ao serviço do Clube de Ciclismo de Santa Maria da Feira (Feirense) na Volta a Portugal, Eulálio foi contratado pela Bahrain-Victorious após a realização de testes físicos na Toscana. No seu ano de estreia no WorldTour (2025), conquistou a Montagna Pantani no Mortirolo e obteve um top 10 nos Mundiais do Ruanda.

Afonso Eulálio terminou em Roma não só com o estatuto desportivo consolidado na primeira linha do ciclismo internacional, mas também como uma das figuras mais carismáticas do pelotão, fruto da sua postura descontraída e do sorriso mediático com que conquistou o público italiano ao longo das últimas três semanas.

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