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Uma instalação de esculturas no Parque Urbano batizada de “Chairs” em vez de “Cadeiras”

Ric12

"Defender a língua materna é um dever de cidadania e um ato de respeito pela História de Portugal", escreve Ricardo Pereira

Leio o editorial do IMEDIATO de 7 de agosto, que denuncia como a Câmara Municipal de Paços de Ferreira apunhala a Língua Portuguesa, e lembro-me das palavras de Fernando Pessoa: “A minha pátria é a língua portuguesa”.

O que está a acontecer é um absurdo cultural ao qual não podemos assistir de braços cruzados e a olhar para o Parque. Eu sei que é duro mas… Uma vereação da cultura que não defende nem promove a língua portuguesa deixa de cumprir a sua função básica. É um perigo institucional que deverá exigir a máxima atenção da CMPF e do seu presidente, Paulo Ferreira.

A cultura municipal existe para proteger a identidade da comunidade e a língua portuguesa é o nosso primeiro elemento. Se quem tutela a cultura ignora esse dever… está a falhar no essencial.

No meu entendimento, a gravidade é profunda porque o responsável por esta área acumula as funções de vereador da cultura e de vice-presidente da Câmara. Alguém com este peso político, e que pela sua área de formação deveria trabalhar diretamente na valorização do conhecimento educativo, deveria ser o primeiro a garantir rigor identitário. A responsabilidade pública exige critério, coerência e respeito pela comunidade e pela nacionalidade portuguesa.

O IMEDIATO expôs factos que não podem ser ignorados: – Uma instalação de esculturas no Parque Urbano batizada de “Chairs” em vez de “Cadeiras”; – A lona da piscina municipal a repetir “Hello Summer” em vez de “Olá Verão”.

Esta submissão acrítica aos estrangeirismos, promovida por organismos municipais, é inadmissível. Para enxurradas de estrangeirismo, como muito bem refere o IMEDIATO, já bastam as redes sociais. O município não pode ser cúmplice de uma erosão cultural que mina a nossa identidade e ridiculariza a língua portuguesa.

Registo, com agrado, o trabalho do IMEDIATO ao trazer estes factos a público. O escrutínio local é essencial para garantir transparência e responsabilidade institucional.

Se os eleitos na CMPF e na AMPF continuarem assim, depois não venham fingir surpresa com as dinâmicas e o descontentamento refletidos no mapa eleitoral do nosso concelho, nomeadamente nas legislativas.

Há causas para isso, e uma delas é precisamente este tipo de desorientação institucional que afasta as entidades públicas da língua materna e das preocupações reais das pessoas.

A nossa língua é a nossa verdadeira fronteira. Permitir que a maltratem, por complexo de inferioridade, por desleixo ou subserviência institucional, é esnobismo, é renunciar a quem somos. Defender a língua materna é um dever de cidadania e um ato de respeito pela História de Portugal.

Mesmo assim, eu acredito que os órgãos municipais vão acordar.

Vamos ver.

Ricardo Pereira

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