Presidente da Junta de Freguesia, Carlos Leão, acusa membro do movimento independente “Eu Sou Penafiel” de ameaças e tentativa de agressão com bastão de basebol. Movimento repudia acusações e aponta o dedo à “postura intimidatória” do autarca.
A última sessão da Assembleia de Freguesia de Penafiel terminou num clima de crispação, motivando a emissão de comunicados oficiais por parte do presidente da Junta, do presidente da Mesa da Assembleia e dos responsáveis do movimento independente da oposição. O caso vai avançar para as autoridades judiciais.
O presidente da Junta de Freguesia, Carlos Leão, emitiu um comunicado onde denuncia um “episódio de extrema gravidade” ocorrido durante a reunião de segunda-feira. Segundo o autarca, um elemento do Movimento Político “Eu Sou Penafiel” ter-lhe-á feito ameaças no decorrer dos trabalhos. Carlos Leão relata ainda que, já após o encerramento da sessão e quando regressava a pé para casa, o mesmo indivíduo “terá voltado a tentar agredi-lo, alegadamente munido de um bastão de basebol”.
Perante “a gravidade dos factos”, o autarca confirmou que vai apresentar queixa junto das autoridades competentes, sublinhando que “na democracia, as ideias vencem-se com argumentos, com votos e com respeito, nunca à força da violência” e que “o que aconteceu não é política, não dignifica quem exerce funções públicas e, sobretudo, não serve os interesses dos fregueses de Penafiel”.
Por fim, Carlos Leão espera que o Movimento Político Eu Sou Penafiel “faça uma reflexão séria sobre estes acontecimentos e retire as conclusões que entender adequadas relativamente ao comportamento deste seu elemento, pois quem recorre à violência não pode representar os valores do respeito, da democracia e do serviço público”.
Sessão suspensa devido a “escalada inaceitável”
Os incidentes dentro do plenário foram confirmados pelo presidente da Assembleia de Freguesia, Pedro Nuno de Sousa Bessa, que se viu obrigado a suspender temporariamente a sessão para “repor a ordem e salvaguardar a dignidade” do órgão, face ao que descreveu como uma “escalada inaceitável de insultos, agressividade verbal e comportamentos que ultrapassaram todos os limites do civismo”. Embora os trabalhos tenham sido retomados e concluídos, o presidente da Mesa lamentou os episódios que considerou “uma mancha no historial” daquela assembleia, garantindo que usará todos os mecanismos regulamentares para que as futuras sessões decorram em segurança.
Oposição rejeita papel de “bode expiatório”
Em reação ao comunicado emitido pelo autarca da freguesia e ao abrigo do Estatuto do Direito de Oposição, o Movimento Independente “Eu Sou Penafiel” emitiu um direito de resposta onde repudiou “qualquer tentativa de beliscar a idoneidade pública, política e pessoal” dos seus eleitos, assegurando que a conduta se pauta “pelo rigor, respeito pelas instituições e defesa intransigente da honra”.
Embora o movimento lamente o ambiente vivido na sessão, recusa assumir as culpas partilhadas e afirma que a tensão sentida é consequência da “hostilidade e da postura intimidatória demonstradas pelo Senhor Presidente da Junta de Freguesia desde a campanha eleitoral”. A força política da oposição alega ter sido alvo de “atitudes de desrespeito pessoal e presunção de superioridade moral” por parte de Carlos Leão durante a reunião e garante que não aceitará ser “o bode expiatório de comportamentos que não nos pertencem”, reiterando o seu compromisso em continuar a fiscalizar o poder local de forma firme.
“O Movimento Eu Sou Penafiel continuará a exercer, com firmeza e responsabilidade, a sua missão de fiscalizar, apresentar propostas e defender uma Assembleia assente na pluralidade, no respeito mútuo, na transparência e no interesse de Penafiel”, asseguram.

