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Tantas saudades…

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Diante da minha mesa de trabalho, tenho uma mensagem de José Saramago que me alerta para o sentido da vida e diz o seguinte: “A viagem nunca termina. Apenas os viajantes terminam. E mesmo eles podem continuar vivos na memória, na recordação, nas Histórias…”

Tantas vezes estas frases me fazem pensar e, de tantas vezes que as olho, lembro o tempo que passou e deixou marcas. Sinto próximas as pessoas que já não estão fisicamente comigo. Recordo passagens da vida que é forçoso preservar…

Este princípio do ano, de cada ano, arrasta-me sempre para um tempo que passou, para momentos que vivi e que nunca poderão ser esquecidos… Pessoas que estiveram e que, mesmo ausentes, ainda são parte de mim… Datas que fizeram e fazem parte da minha História, das Histórias do espaço onde nasci e resido…

Nos primeiros dias de Fevereiro, há muitos, muitos anos, a celebração do S. Brás marcou para sempre uma etapa da minha vida.Há muitos, muitos anos, eu vinha do Colégio, no Porto, para viver e sentir a festa… Há muitos anos, eu vinha de Coimbra, onde estudava, para não falhar essa celebração… Porque sim, tinha de ser! A comida, os foguetes, os bombos, a procissão, o entusiasmo dos que quiseram gravar o que havia de ser, para sempre, a simbologia da Festa de S. Brás, em Frazão. Não sei bem porquê, talvez pela proximidade da celebração do Carnaval, a festa religiosa misturou-se com o entusiasmo do Carnaval e, nesta celebração, a minha mãe e o meu tio Alfredo, seu irmão,  iniciaram a corrida aos “brilhantes” que haviam de ser uma espécie de marca simbólica do que foi, do que passou a ser, o toque característico desta festa do início do ano! Tanta alegria, tanto entusiasmo, tanto amor à folia, à diversão, ao riso que ainda parecem ecoar nos meus olhos, nos meus ouvidos, no meu coração… Tanta alegria que parecia nunca ter fim e que a minha mãe silenciou para sempre! Deixou-nos, exactamente, há 17 anos, no primeiro dia da festa que ela adorava e, marcando-me para sempre, não voltei lá… Hoje, cada foguete, cada som que me chega da banda da música, parecem-me pancadas duras que o tempo não consegue aliviar… Nem os “doces do Amândio” me sossegam o paladar!

Dias antes, eu sei, o Café do Machado, celebrava a sua abertura em vésperas do S. Brás. Foi há 60 anos e parece ter sido ontem… Tanta gente que por lá passou e fez História… Aquela mesa, na entrada à direita, era a dos meus pais… O café, o jornal, as gentes que se encontravam para ouvir, para conversar… Mantém-se ainda a leitura matinal do jornal… De manhã, quando entro,ainda olho à direita, já não está lá ninguém mas a leitura diária do jornal, mantém-se. Que bonito, o gesto! Sabe tão bem sentir, constatar que a leitura diária do jornal, num espaço público se preserva… Mas é forçoso sentir saudades! Muitas! Tanta gente que esteve e já não está! Tanta gente que já não encontro e faz tanta falta… Talvez seja bem verdade que a viagem nunca termina… Porque, se os viajantes terminam, afinal, eles continuam vivos, na nossa memória, no nosso coração… Afinal, a História da Festa de S. Brás vai continuar… O Café Do Machado continua… Com os seus visitantes diários, com os seus leitores habituais… Está lá, para sempre, acredito, o desenho que o meu pai assinou para registar o lugar… Estão lá as memórias, tantas, que vamos guardar… Apesar das saudades! Tantas…

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