Em Abril de 1989, estudantes com diversas queixas contra o Governo comunista chinês, iniciaram manifestações pró.democracia na Praça Tiananmen, centro de Pequim…
Entretanto, as autoridades chinesas passaram décadas a tentar apagar da memória do país os pormenores das manifestações… Hoje, continua a tentativa de apagar os vestígios do que então aconteceu mas, alguns jovens, chineses sobretudo, continuam a descobrir detalhes desses acontecimentos, sobretudo sobre a repressão sangrenta levada a cabo pelo Governo de há 37 anos, na China…
Em Fevereiro, quando a patinadora artística norte-americana Alysa Liu conquistou medalhas olímpicas de ouro em Milão, começaram a circular na China conversas sobre o seu pai… Afinal, o seu pai, Arthur Liu, tinha participado nos protestos da Praça Tiananmen e terá fugido para os Estados Unidos, onde Alysa nasceu, em 2005… Isso levantou grande polémica… Aparentemente, esta introdução quase nada tem a ver com o que se passou, com o que pode interessar hoje, mas, apesar da censura, os jovens chineses continuam a tentar descobrir a verdade sobre Tiananmen…
E qual a razão porque recorro a este tema, hoje? Porque a imprensa escrita está a recordar o assunto e porque, passados todos estes anos, sinto-me também com vontade de lembrar o que senti, o que vi e vivi numa viagem especial de grupo, com programa detalhado em quatro cidades enormes da China! Que incluiu, naturalmente, Pequim e a Praça Tiananmen… Foi em Abril de 2001 e tudo o que então foi possível visitar, ajudou a sentir o que foi, o que é a vida experimentada na China! A distância, o rigor, a disciplina, o medo, o silêncio, o cumprimento sempre rigorosos dos horários, dos programas, do que parece fácil e difícil olhar, sentir e tentar experimentar…
Foi, era um grupo de amigos disciplinado, cumpridor e, para além dos possíveis e breves comentários, nunca ninguém terá ousado o não cumprimento do que estava previsto visitar… Curiosamente, ou talvez não, alguém de nós, terá proposto entoar a nossa “Grândola, vila morena” e, numa praça imensa, marcada pelo silêncio e pela disciplina, o som ecoou e terá saído mais forte que o habitual… Quase felizes, com o nosso dever cumprido, logo a seguir todas as luzes se apagaram num sinal amplo de silêncio e, para nós, um despertar curioso para o que iria depois acontecer… E a resposta foi, nada!
Pouco adiantaram as perguntas, as respostas estavam sempre, quase sempre, próximas da ideia comum e habitual… o silêncio!
Hoje, tantos anos depois, continuo a ler que a patinadora norte.americana Alysa Liu conquistou medalhas de ouro e que o seu pai terá mesmo participado nos protestos da Praça Tiananmen… Que hoje é uma figura controversa…Que em Abril de 1989, estudantes iniciaram mesmo, manifestações pró-democracia na Praça Tiananmen. Que o pai de Alysa esteve lá! Que, desde então, o Governo chinês tem tentado apagar essa parte da História… Que a vigília anual que se fazia por ocasião do aniversário, foi já substituída… Hoje, tantos anos passados, professores de História, ainda fecham as portas da sala de aula antes de partilhar detalhes sobre o assunto…
Hoje, continuam a existir protestos de enorme dimensão e continuamos sem saber qual o número oficial de mortos. O número anunciado, foi então de 241 vítimas… Entretanto, activistas dos direitos humanos afirmam que o número real poderá ascender aos milhares… Afinal, em que ficamos? A China continuará a ser um país difícil e enigmático… E o Governo chinês tenta há anos apagar Tiananmen da memória colectiva mas não consegue. E nunca conseguirá!

