A época do ano que vivemos nunca foi fácil mas, no presente, tudo está a parecer mais difícil. Arrumam-se os livros e os cadernos, fazem-se planos e preparativos para o novo ano lectivo que está a começar. Nada ou quase nada é novo para os que são forçados a preparar com cuidado o novo ano lectivo. Não, nada depende só dos alunos, dos professores, dos pais ou encarregados de educação. Não será destes que enunciei, que dependerá, ou não, o sucesso do próximo ano…
Afinal, hoje, não há Escolas para todos, as turmas, a maioria das turmas, são exageradamente grandes, não há professores para todos os que se matricularam porque querem e devem estudar… Continua a não ser indiferente uma turma ter 20 ou 30 alunos, continua a não ser indiferente uma turma com vários estratos sociais, com ou sem alunos com necessidades educativas especiais, com ou sem alunos de várias nacionalidades.
Bem sei que o Ministro Fernando Alexandre se farta de dizer que fez uma profundíssima alteração no sistema de ensino, que diz ter resolvido problemas de forma eficaz mas também sei, porque ele o diz, que, se alguma coisa não esteve bem, continua a atirar a culpa para os Directores das Escolas, para os Professores, para os Pais, para os próprios alunos, para todos e não ele, afinal! Isso também é, neste início do ano, um facto preocupante…
Todos os que me conhecem sabem que fui Professora durante muitos anos. Estudei muito para isso e fiz isso, sempre, com a maior dedicação e empenho. Empurrada, sempre, pela vocação que me levou à Escola. Não para os cargos que aí também exerci, não porque, no início era uma profissão com prestígio, não porque sabia que, à época, essa podia ser uma profissão para a vida. Então, foi para mim um cargo de fácil colocação e progressão na carreira…
Hoje, não é nada disso, nada é como era. Hoje, tenho a certeza, a profissão tornou-se pouco atractiva, já não causa admiração ou respeito de outros tempos, perdeu autoridade e, também, porque tem de enfrentar um excesso de burocracia, alguma desordem na programação das aulas, maior indisciplina. E, disto tudo, de quem será a culpa? É claro que o M. E. diz que é das Escolas, dos Professores, dos Pais, dos alunos… Não, não é! Os programas estão desajustados aos interesses dos alunos, nem todos os alunos conseguem um suporte familiar que lhes facilite a vida para a apresentação de trabalhos e mais trabalhos para tudo e mais qualquer coisa… Parece-me que o Ensino está mal. Mesmo mal. Não se ensina a escolher matérias, não se coordena as aprendizagens, os alunos não aprendem a ler, não sabem comentar, não sabem justificar as respostas que apresentam… Hoje, para além do apoio digital excessivo, quase sempre presente, aprende-se a fazer bolinhas e cruzinhas para acertar na resposta… Não pode ser!
Chegam depois os maus resultados do P.I.S.A. que resultam, claramente, do facilitismo actual do ensino. Afinal, todos os alunos deveriam ser avaliados perante as mesmas exigências. Recordo que a avaliação interna avalia também a qualidade dos Professores e das Escolas e, não havendo qualidade sem exigência, hoje, tantos anos depois, ainda sorrio e fico feliz quando me dizem que fui “muito exigente”.
Ainda será possível melhorar a qualidade do Ensino! Para isso conta muito a responsabilidade e a qualidade das Escolas. Outros Programas, mais Professores, melhores alunos. Mais livros e cadernos, menos agrafadores, mais confiança no futuro!
