A requalificação do centro histórico de Penafiel já está em marcha e promete transformar de forma profunda um dos espaços mais emblemáticos da cidade. O projeto, orçado em cerca de 650 mil euros e financiado em 85% pelo programa NORTE2030, prevê a renovação dos pavimentos, reforço da iluminação pública, instalação de novo mobiliário urbano e criação de mais zonas verdes e de descanso. Mas é sobretudo a limitação da circulação automóvel e a prioridade dada aos peões que está a gerar opiniões divergentes.
Se há quem veja nesta intervenção uma oportunidade para dar mais vida ao centro histórico, há também quem tema que a redução do trânsito afaste clientes e crie dificuldades aos negócios.
Daniel Ferreira, proprietário há 19 anos do Minimercado Dani, na Rua Alfredo Pereira, considera que a obra é necessária, mas mantém algumas reservas. “Vou dar o benefício da dúvida à Câmara e esperar para ver o resultado final”, afirmou.
O comerciante afirma que é necessário criar soluções para cargas e descargas, para serviços e para pessoas com pouca mobilidade, mas também manter a circulação automóvel. “Se ficar uma rua pedonal, não vai funcionar para ninguém, apenas para a restauração, aos fins de semana ou à noite”, frisou.
Também Susana Gomes, com negócio no centro histórico há mais de 30 anos, mostra-se contra a redução do trânsito. “O trânsito tem que passar. A partir do momento em que limitem o trânsito, é convidar as lojas a fechar”, defendeu a comerciante.
Mas a visão não é partilhada por todos. Muitos comerciantes acreditam que a intervenção poderá revitalizar o centro histórico.
Jaime Soares, que ali nasceu há 39 anos e explora um restaurante desde 2014, vê a obra como uma oportunidade. “Não vejo esta requalificação apenas como uma obra de pedra, calçada, iluminação ou mobiliário urbano. Vejo-a como uma oportunidade de dar uma nova vida a um dos espaços mais importantes da cidade”, assegurou, certo de que a intervenção poderá valorizar o comércio e criar melhores condições para quem vive, trabalha ou visita Penafiel.
Também Paulo Jorge, da Sapataria Cristina, instalada em Penafiel há mais de 50 anos, encara o projeto com otimismo. “Já vi várias requalificações nesta zona e nenhuma resultou por falta de fiscalização. Dou o benefício da dúvida. Isto como está não está bem e é preciso intervir”, referiu, certo de que se houver “fiscalização eficaz”, o espaço vai ficar “mais convidativo” e capaz de atrair novos públicos.
Mais favorável ainda é José Martins, do Olívia Coffee & Brunch. “Estou totalmente a favor. Fechar a rua vai trazer mais gente, mais segurança e mais procura”, afirmou, lembrando que muitos veículos utilizam aquela zona apenas como alternativa de circulação.
Entre os moradores, as expectativas também são elevadas. Alberto Simões, que nasceu na Rua Alfredo Pereira há 70 anos, considera a medida essencial. “É inaceitável não poder sair e entrar em casa porque tenho carros estacionados à porta”, afirmou, acreditando que a obra acabará por ser bem recebida pela população.
Autarca garante que projeto acautela necessidades dos moradores e comerciantes
Perante as preocupações dos comerciantes, Pedro Cepeda, presidente da Câmara Municipal de Penafiel, garante que o projeto foi pensado para compatibilizar a valorização do espaço urbano com as necessidades de moradores e empresários. “Vamos proceder à requalificação do pavimento, criar uma faixa de rodagem ao longo das ruas e bolsas de estacionamento”, explicou. Segundo o autarca, o acesso continuará a ser permitido a moradores, operações de carga e descarga e situações especiais. “A nossa intenção não é criar barreiras físicas, como pilaretes. Queremos recorrer a um sistema de videovigilância que permita identificar os veículos autorizados”, adiantou.
Apesar de reconhecer que “qualquer mudança gera dúvidas”, Pedro Cepeda assegura que “todos concordam que o modelo atual não está bem”. “Tínhamos duas opções: deixar tudo como está ou fazer alguma coisa. Assumimos este projeto com convicção”, assegurou.
As obras vão ser realizadas de forma faseada para minimizar o impacto no comércio e os trabalhos serão interrompidos durante a época natalícia. Apesar de algumas vozes críticas, o autarca acredita que a maioria da população apoia a intervenção. “Algumas pessoas assumem-se contra a intervenção, mas parece-me residual. A larga maioria dos penafidelenses está a favor”, concluiu.
