A estrutura do Partido Socialista reagiu com dureza a uma publicação do Chega de Paços de Ferreira que ironizava com as viagens de seniores à Assembleia da República. Socialistas apelam ao respeito por quem “lutou pela democracia”.
O clima político em Paços de Ferreira subiu de tom. Em causa está uma troca de acusações nas redes sociais entre o Partido Socialista (PS) e o Chega, motivada por uma banda desenhada satírica publicada pela estrutura local do partido de André Ventura.
A Origem da Discórdia
A publicação do Chega de Paços de Ferreira utilizava uma ilustração para criticar as deslocações frequentes de grupos de cidadãos à Assembleia da República, sugerindo que estas viagens — descritas como “voos para Lisboa” em tom irónico — seriam um abuso de recursos ou uma forma de “gozo” institucional. No “cartoon” aparece a figura do deputado e presidente da concelhia Socialista – Humberto Brito, a encaminhar idosos para o que chamam de “debate do costume”, acompanhado de referências a regalias como “cafézitos pagos”.
A Resposta do PS: “Não deixemos que a cultura do ódio ganhe”
A reação dos socialistas pacenses não se fez esperar. Através de um comunicado oficial e de uma imagem de sensibilização sobre o envelhecimento, o PS acusou o Chega de expandir o seu “ódio” a um novo alvo: a terceira idade.
“Depois do ódio às minorias, aos imigrantes, o ‘partido chega’ manifesta agora ódio aos mais velhos, ódio aos seniores de Paços de Ferreira que visitam a Assembleia da República”, lê-se na publicação do PS.
Para a estrutura local do partido, estas visitas representam um exercício de cidadania e um direito dos cidadãos em conhecer o órgão máximo da democracia representativa. O PS sublinha que a postura do Chega ultrapassa o limite da crítica política para entrar no campo do desrespeito geracional. “Quem não respeita a democracia e promove a cultura do ódio, vai agora respeitar os idosos que lutaram por ela?”, questionam os socialistas.
O Apelo ao Respeito
A campanha do PS, acompanhada pelas hashtags #respeitopelosmaisvelhos e #diganaoaoodio, foca-se na premissa de que o envelhecimento é um destino comum e que a condição social ou económica não deve ser motivo para escárnio.
Até ao momento, a estrutura local do Chega não emitiu novos comentários em resposta direta às acusações de “ódio” feitas pelo PS, mantendo a tese original de que as críticas se referem à gestão política e logística das referidas viagens.
Este episódio marca mais um capítulo de forte crispação política no concelho, num momento em que a retórica nas redes sociais tem sido o principal palco de confronto entre as forças partidárias locais.
