Site icon Imediato – Jornal Regional

Projeto Coºrdenadas debate, no Ponto C, o direito à cidade com pessoas e histórias “invisíveis” em Penafiel

Ponto C
ISCE Douro 2026

O Ponto C promove acolhe a segunda edição do Coºrdenadas – Laboratório para o Território. A iniciativa arranca dia 15 e termina dia 17, com espetáculos, documentários, mesas redondas, masterclasse e teatro infantojuvenil sob o mote da invisibilidade e acessibilidade.

O programa, pioneiro de pensamento, criação artística e encontro profissional, coloca a cidade de Penafiel no centro do debate contemporâneo sobre o futuro dos espaços urbanos. Através da metodologia de placemaking – o processo de transformar um “espaço” físico num “lugar” com significado, envolvendo as pessoas que o frequentam –, o evento cruza reflexão crítica com prática artística para repensar a forma como habitamos, sentimos e partilhamos o território.

Sob o mote da invisibilidade e acessibilidade, o Coºrdenadas propõe uma análise profunda sobre quem tem direito à cidade. O programa questiona os modelos de desenho urbano que, muitas vezes, excluem corpos e experiências, defendendo que o bem-estar cultural deve ser o pilar central das estratégias de desenvolvimento territorial.

Contando com especialistas em planeamento e espaço público, arte participativa e criação (em dança, cinema e música) de e com pessoas com necessidades específicas, a edição de 2026 atualiza o debate sobre o bem comum. Através de conversas, apresentações de casos, performances e ações artísticas, o Coºrdenadas promove uma leitura crítica do espaço público e das suas dinâmicas, explorando de que forma as práticas culturais podem contribuir para cidades mais acessíveis, mais inclusivas e mais habitáveis.

A vertente artística do Coºrdenadas arranca dia 15, às 10h00, com a dança inclusiva da companhia Dançando com a Diferença. Às 15h00, passa na APADIMP o documentário “Com Amor, Medo”, de Telmo Soares e às 18h30 será exibido “1731 – Luz ao Fundo do Túnel”, de Eduardo Costa para a Associação Olho.Te. Às 21h30 é exibido “SuperNatural”, de Jorge Jácome.

No dia 16, o programa de reflexão inicia-se, às 10h00, com a sessão “Pensar o território em comum”, pela vereadora com o pelouro da Gestão do Espaço Público, Alexandra Almeida. Segue-se uma mesa redonda sob o tema “Visíveis: corpos, criação e acesso” com a participação de Francisco Frazão (tradutor e programador), Marc Brew (coreógrafo, Marc Brew Company) e Zia Soares (encenadora, Teatro Griot), com moderação da programadora cultural Carla Miranda. Às 12h, o case study de impacto social, apresentado pela investigadora brasileira T. Angel. Às 14h30, uma mesa redonda sobre “Acessibilidade e representatividade na programação cultural” com Hugo Ferreira (Omnichord), Nelson Guerreiro (Tudo Incluído/All Inclusive e Festival Paragem), Sofia Costa (designer) e Victor Hugo Pontes (coreógrafo e diretor artístico do Teatro Nacional São João), com moderação da mediadora cultural Léa Prisca López. Segue-se outro case study, desta vez sobre “Arquiteturas (in)visíveis” com a arquiteta, curadora, editora, investigadora e professora na Universidade do Minho, Andreia Garcia (Architectural Affairs), com introdução de Bruno Costa (Bússola). Às 17h00, uma masterclass com Carmen Papalia – um artista cego de Vancouver – sobre “Cidades inclusivas: experiência, acesso e perceção”: uma reflexão sobre acessibilidade e inclusão a partir da experiência direta do corpo no espaço urbano – com moderação da diretora artística do Ponto C, Mónica Guerreiro. Às 17h30, será exibido o documentário “Uma Casa com a Rua lá Dentro”, de André Moniz Vieira, que se foca numa jornada artística com pessoas em situação de sem-abrigo, onde a arte é usada como ferramenta de inclusão e dignidade. E a fechar o sábado, o concerto dos 5ª Punkada, uma banda de rock irreverente, da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, que celebra 27 anos de percurso e temas originais, conhecida do grande público por ter sido um dos grupos convidados a acompanhar os Coldplay nos concertos que deram em Coimbra em 2023.

No último dia do Coºrdenadas, 17 de maio, uma proposta de teatro infantojuvenil, às 16h00, sobre a deficiência intelectual adquirida, neste caso pela idade, e também invisível: “O avô tem uma borracha na cabeça”, da Varazim Teatro, junta música ao vivo e marionetas para falar da amizade entre um neto e o seu avô que sofre de perda de memória por conta da demência.

Com esta iniciativa, Penafiel afirma-se como um território de referência para cidades de média escala que queiram debater como a cultura e a participação ativa podem transformar o espaço público num sistema vivo, acessível e capaz de gerar bem-estar coletivo. O Coºrdenadas não é apenas um evento, mas um compromisso com a construção de cidades mais humanas e sustentáveis.

Os bilhetes encontram-se à venda na bilheteira do Ponto C e on-line, com um preço único de 12€ – que dá acesso a toda a programação, incluindo um almoço volante no dia 16.

 

 

Exit mobile version