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Portugal lança plano de 2 milhões de euros para travar declínio de polinizadores

Polinizacao final

Em Portugal há 746 espécies de abelhas

O Ministério do Ambiente e Energia aprovou esta terça-feira o «Polinizadores em Ação» — Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores em Portugal. O despacho, assinado pela ministra Maria da Graça Carvalho, prevê um investimento de dois milhões de euros para os próximos dois anos, com o objetivo de reverter o declínio galopante de insetos essenciais para os ecossistemas e para a economia.

O “Motor” Invisível da Economia

O documento sublinha a urgência da medida através de números expressivos: em Portugal, a polinização animal (feita maioritariamente por insetos) vale cerca de 2 mil milhões de euros por ano para o setor agrícola, o equivalente a 0,81% do PIB nacional. Culturas emblemáticas como a Pera Rocha do Oeste, a Maçã de Alcobaça e os Citrinos do Algarve dependem diretamente destes animais.

Apesar da sua importância, o cenário é crítico. À escala europeia, um terço das espécies de abelhas e borboletas está em declínio e 10% enfrenta a extinção. Em Portugal, o plano identifica como principais ameaças:

Quatro Eixos para 2030

O plano, coordenado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), estrutura-se em quatro pilares fundamentais:

  1. Conhecimento Científico: Reforço da inventariação (Portugal tem 746 espécies de abelhas descritas) e monitorização sistemática.

  2. Gestão do Território: Promoção de “paisagens multifuncionais” que conciliem a produção agrícola e florestal com áreas de abrigo e alimento para insetos.

  3. Educação e Sociedade: Integração do tema no ensino formal e campanhas de sensibilização para o valor dos polinizadores.

  4. Políticas Públicas: Garantia de financiamento e integração da conservação nas decisões do Estado.

Financiamento e Prioridades “Críticas”

Para o biénio 2026-2027, o Fundo Ambiental disponibilizará um milhão de euros por ano. O financiamento será direcionado a instituições de ensino, centros de investigação e ONGs através de concursos públicos (Avisos).

Entre as “ações críticas” definidas pelo Governo estão o restauro da natureza, a implementação de boas práticas agrícolas e o aumento da literacia sobre a polinização. “Investir na conservação dos polinizadores é investir não só na saúde pública, mas também na segurança nutricional”, lê-se no despacho, que lembra que alimentos ricos em micronutrientes, como frutas e legumes, dependem crucialmente destes “trabalhadores” silenciosos.


Infográfico: A Biodiversidade em Portugal


Sabia que?


Este plano surge em alinhamento com o Regulamento do Restauro da Natureza da União Europeia, que obriga os Estados-membros a reverter o declínio dos polinizadores até ao final desta década.

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