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Para ti, Carlos Seabra

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Academia Pro. Albino de Matos

O meu, o nosso amigo, Carlos Seabra deixou de estar, fisicamente connosco… Uma notícia assim devove.nos sempre a necessidade de rever toda a vida que passou, mas, sobretudo, faz-se a busca de uma imagem que vamos guardar para sempre… Porque, queiramos ou não, vai ficar connosco o que achamos que devemos sempre guardar… Bom ou menos bom, ficam sempre os dias que marcaram as nossas vidas, os nossos tempos passados, todos os que ficaram para trás mas que representam um tempo vivido e que não se pode esquecer… A memória! Sempre a memória que está em paralelo com essa vida que fica para trás e que é forçoso guardar como se o tempo não andasse ou não fosse difícil, às vezes, olhar para tudo o que se viveu…

Nunca deixamos de pertencer ao lugar ou ao tempo que nos formou, que nos trouxe a comunhão dos dias,tão difíceis, às vezes. A profissão que nos ensinou a conviver em tempos difíceis, a actividade política que nos proporcionou um caminho quase comum, tão difícil também, mas que foi o que, nesse tempo, escolhemos viver. tantos entraves que pareciam impossíveis de vencer e que nós, contigo naturalmente, conseguimos ultrapassar. Paradoxalmente, o desaparecimento físico do amigo C. Seabra, ajudou de novo a pensar e a marcar um tempo que foi difícilas que, em conjunto, nós vencemos…

O esquecimento ou a indiferença nunca escreve seja lá o que for, nunca comenta, mas, a Escola Secundária com Alunos, com Programas, com metas difíceis de transpôr, sugerem e fazem recordar um tempo difícil que nós, tu, eu, os outros professores todos, conseguimos equilibrar e vencer… Tivemos momentos difíceis, muitos, zangámo-nos algumas vezes, tudo parecia acabar sem solução e depois, depois, os nossos objectivos ligados à Gestão da Escola, ao Ensino/Aprendizagem, foram totalmente possíveis de ultrapassar…

Claro que há, que houve etapas difíceis de vencer mas, conhecendo-nos, não nos levando demasiado a sério, tudo acabou sempre bem…Levado a sério, às vezes pareceu difícil vencer as adversidades, as políticas sobretudo, mas tu, eu, nós, conseguimos, sempre, atingir os nossos objectivos. E esses tempos… nunca os poderemos esquecer! Às vezes foi duro mas eu já te conhecia da Esc. Sec. onde fomos colegas tantos anos e onde trabalhámos juntos tantas vezes e, tantas vezes nos zangámos para depois, logo a seguir ficar tudo bem…

Por tudo isso, temos de reconhecer que a vida não foi, não é fácil nunca, mas também por isso, tu, Carlos Seabra, deixas muitas páginas gravadas na História do Concelho e cada um daqueles que te conheceram, que conviveram contigo, terão de reconhecer que valeu a pena essa luta na Escola, na Política também…

Talvez seja esta última actividade que cito, aquela que mais nos uniu, a que melhor mostrou que eras duro, sim, mas que eras determinado, competente, amigo daqueles que pensavam como tu, como nós! Terá valido a pena! Claro que valeu!

Foi por isso tudo que a tua morte me obrigou a recordar com saudade e até entusiasmo renascido, o que fica para trás…

Como diz Saramago, ” a viagem nunca termina. Apenas os viajantes terminam e mesmo eles podem continuar vivos na memória…”. Nós todos, hoje, neste lugar, vamos guardar o exemplo que há-de caminhar connosco e talvez consigamos todos, acreditar que esta casa gigante que habitamos,possa melhorar…

Houve um homem que nunca deixou de pertencer a essa casa que tanto quis defender… Como colega, como Professor, como Pároco, como Político, como Pai, como exemplo claro dos que não se acomodam perante a vida e que sabem fazer da sua caminhada, um exemplo de luta, às vezes renhida mas que vale a pena seguir…

Até sempre, C. Seabra, obrigada por teres sido nosso amigo!

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