Documento de 88,5 milhões de euros, o maior de sempre do município, foi aprovado por maioria. A posição dos presidentes de junta do PSD, que divergiram da bancada municipal do partido, foi determinante para assegurar a continuidade de projetos do PRR e Portugal 2030.
O orçamento da Câmara Municipal de Paços de Ferreira para 2026, avaliado em 88,5 milhões de euros, foi aprovado esta quinta-feira, numa sessão marcada pela divisão política. Embora o documento tenha contado co
m o voto contra dos eleitos pelo PSD e pelo Chega, a aprovação foi garantida pelo voto favorável dos presidentes de Junta de Freguesia eleitos pelo PSD, num movimento que salvaguarda a execução financeira do município para o próximo ano.
O maior investimento de sempre
Apresentado pela vereadora Andreia Nunes, o orçamento foi definido como o “maior de sempre” do concelho. Segundo a autarca, o plano financeiro baseia-se numa gestão “prudente” e no cumprimento da regra de equilíbrio orçamental, sendo estruturado para alavancar um “forte investimento público”.
As grandes linhas de força do orçamento para 2026 incluem:
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Receitas Correntes: Estimadas em 46,6 milhões de euros, com 28,3 milhões provenientes de transferências do Estado e 12,9 milhões de impostos diretos.
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Fundos Comunitários: Um peso de 32,8 milhões de euros, essenciais para a estratégia de desenvolvimento.
- Eixos Prioritários: Foco acrescido na Educação, Saúde, Habitação, Ação Social e Infraestruturas.
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Coesão Territorial: Reforço das transferências para as freguesias, que subirão para 1,1 milhões de euros.
O voto pragmático do PSD
A aprovação do orçamento, apesar da oposição formal da estrutura política do PSD na Câmara, reflete uma estratégia de pragmatismo por parte dos autarcas de freguesia. Na declaração de voto conjunta, os autarcas deixaram claro que o sentido de voto favorável não é uma carta em branco, mas uma medida de salvaguarda.
“Votámos a favor do orçamento para que os projetos em execução, sobretudo aqueles financiados pelo Portugal 2030 e o PRR, não sejam comprometidos e a população penalizada”, declararam os presidentes de junta do PSD.
Contudo, o apoio veio acompanhado de um aviso ao executivo: os autarcas exigem uma “verdadeira e maior aproximação e diálogo” com a Câmara Municipal no que toca às futuras negociações orçamentais.

