Ontem, véspera da Primavera, onze Presidentes de Junta do PSD divulgaram um comunicado conjunto a discordar da decisão do Presidente da Câmara de Paços de Ferreira, Paulo Ferreira, na escolha do seu chefe de gabinete.
A acumulação de funções é anterior à votação do Orçamento de 2026. A contestação, porém, chegou agora e encostou o Presidente da Câmara à parede, recentrando o debate na relação entre o Presidente da Câmara e os Presidentes de Junta.
Com entrada dos Presidentes de Junta, o confronto deixou de ser um eixo PSD contra PS e passou a configurar um braço de ferro entre Presidentes de Junta e a Presidência da Câmara, com a Assembleia Municipal a tornar-se o campo de jogo organizacional. No comunicado, os Presidentes contestam a acumulação de funções do Presidente da Junta de Raimonda, Jocelino Moreira, com o cargo de chefe de gabinete do Presidente da Câmara. Invocam um parecer da CCDR-N que apontará irregularidade administrativa e alegam que a presença do autarca da Raimonda, dentro do gabinete, pode comprometer o igualitário acesso das dezasseis freguesias à informação e à decisão. Pedem clarificação célere para evitar a deterioração da confiança política entre freguesias e Município.
“Sem antecipar decisões, é possível descrever quatro cenários
compatíveis com o que está em cima da mesa”
A cronologia ajuda a perceber o momento. Em 16 de março, o IMEDIATO resumiu a posição concelhia do PSD, citando o parecer da CCDR?N de 16 de janeiro, e a Câmara contrapôs que a nomeação “não enferma em irregularidades”, invocando a prerrogativa legal de escolha. Em 17 de março, o Presidente do PSD concelhio, Miguel Pereira, publicou uma carta aberta a pedir que Jocelino Moreira optasse por uma das funções, referindo e criticando essa resposta da autarquia. Em 20 de março, os onze Presidentes de Junta do PSD formalizaram o comunicado conjunto. Até ao fecho deste texto, não se encontra no IMEDATO registo de reação pública do PS de Paços de Ferreira, enquanto estrutura concelhia, especificamente a este dossiê.
Neste cenário, a imagem do triciclo é útil para pensar o equilíbrio institucional. Câmara, Juntas e Assembleia Municipal são três rodas que avançam direitas quando tocam o chão ao mesmo tempo. A aprovação do Orçamento de 2026 mostrou que a governabilidade se joga nas freguesias e na capacidade de convergência dos Presidentes de Junta dentro da Assembleia Municipal, deslocando o centro de gravidade para o território e tornando o equilíbrio entre rodas mais sensível.
Sem antecipar decisões, é possível descrever quatro cenários compatíveis com o que está em cima da mesa:
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a) o status quo mantém-se e o conflito irá rebentar na Assembleia Municipal, e todos perderão;
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b) o Presidente da Câmara exonerará o chefe de gabinete, e o PSD ganhará;
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c) o chefe de gabinete pedirá exoneração e, mantendo a Presidência da Junta de Freguesia, o Presidente da Câmara perderá;
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d) o chefe de gabinete renunciará à Presidência da Junta e, permanecendo no gabinete, o Presidente da Câmara ficará a ganhar.
Como “cada coisa tem o seu tempo…” Vamos ver!
Ricardo Pereira, 21 de março 2026.
