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O Palco como Espelho do Esquecimento: “Brancas Memórias” chega ao Ponto C

AstroFingido final

No próximo dia 27 de março, o Ponto C – Cultura e Criatividade, em Penafiel, recebe a companhia Astro Fingido para uma reflexão teatral sobre a memória, a identidade e o impacto das demências.

O que resta de nós quando as palavras nos fogem e as recordações se apagam? É sobre esta interrogação fundamental que se ergue “Brancas Memórias”, o espetáculo da companhia Astro Fingido que sobe ao palco do Ponto C, em Penafiel, no Dia Mundial do Teatro. A peça propõe um olhar cruzado sobre a fragilidade da mente humana, unindo o medo profissional do ator ao drama clínico da terceira idade.

Entre o Medo da “Branca” e o Vazio da Doença

A narrativa do espetáculo desenvolve-se em dois planos distintos, mas profundamente conectados pela angústia da perda. Por um lado, explora o universo dos intérpretes que utilizam a memória como ferramenta de trabalho diária. Aqui, a “branca” — o esquecimento súbito de um texto em pleno palco — surge como o maior pesadelo de quem pisa as tábuas.

Por outro lado, a peça mergulha na realidade crua das doenças neurodegenerativas. Através de testemunhos reais, o espetáculo transporta para a cena a vivência de quem enfrenta o diagnóstico de demência e o isolamento progressivo que o esquecimento impõe.

O Papel do Cuidador em Foco

“Brancas Memórias” não se limita a observar quem esquece. O espetáculo estende a sua reflexão aos cuidadores, aqueles que vivem ligados à “doença do esquecimento” e que se tornam os guardiões das memórias que o outro já não consegue sustentar. A peça questiona o que permanece quando as funções cognitivas e a própria identidade se diluem: será o afeto a última barreira contra o vazio?

“Uma reflexão profunda sobre o valor das recordações e o impacto da ausência delas na definição do ‘eu’.”


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