No último domingo decidiram os portugueses que teremos de voltar novamente às urnas e, no próximo ato eleitoral vamos decidir apenas entre dois candidatos e esses dois candidatos são António José Seguro e André Ventura. Teremos tempo de comentar as diferenças entre os dois, mas neste momento não podemos deixar de refletir sobre os fatores que, para mim, foram fundamentais para se ter chegado a este ponto.
O facto fundamental foi a fragmentação da direita, resultante da gestão política do eleitorado conquistado nas legislativas, isto é, o facto da IL e do CHEGA terem obtido excelentes resultados, criou reais e fundamentadas expectativas dentro do eleitorado conquistado e a votação obtida por ambos assim o comprovou! Esta situação colocou-os numa situação de terem de escolher entre o ótimo democrático e ótimo eleitoral e é dessa forma que se criou uma situação de “lose lose” para o PSD, que acaba vítima do momento eleitoral dos seus parceiros da direita.
Pela questão da gestão partidária, apoiar um candidato de outro partido era impensável para o PSD, a gestão interna dos egos dos seus proeminentes “senadores” também não ajudou e as feridas ainda não saradas das guerras internas passadas tornaram impossível uma candidatura potencialmente vencedora à primeira volta. Não deixo de notar que um candidato declaradamente apoiado pelo PSD, que é atualmente governo, ficar em 5º lugar era um cenário impensável! Mesmo com este enquadramento foi uma péssima gestão política por parte dos dirigentes do PSD, que em determinado momento tiveram a oportunidade de apoiar Gouveia e Melo, alguém que além de evitar ter de escolher entre “senadores” garantia de pelo menos chegar à 2ª volta.
O PS e em especial José Luis Carneiro, respirou de alívio porque o espetro político á sua esquerda, unido não chegou aos 5%! Situação impensável á partida e diametralmente oposta ao PSD em que á sua direita, 3 candidatos que obtiveram maior votação que Marques Mendes… Lembremos que Seguro foi uma casca de banana lançada a Carneiro num momento em que Gouveia e Melo parecia ser a escolha que garantia uma vitória à direita, facto que não pode ser agora esquecido.
Seguro teve um grande mérito: ninguém notou por ele na campanha! Os restantes candidatos assumiam as despesas da campanha, numa luta contra comum contra Ventura e que permitiu a Seguro gerir tudo com o mínimo ruído e sem erros. Não há nada que na sua campanha tenha sido marcante ou cativante, apenas sobreviveu e provavelmente agora reinará entre os destroços de uma direita cuja campanha foi num primeiro momento “anti-Almirante” e no segundo momento “anti-Ventura”! Acredito que de facto Seguro vencerá por mérito da sua paciência individual, talvez seja até uma sapatada de luva branca aos agora experientes “Jovens Turcos” do PS, que o lançaram para condicionar à partida as opções de J.L. Carneiro.
Posto tudo isto e apesar de tudo indicar que Seguro vá ganhar a 2ª volta, o grande vencedor já é Ventura, pois ganhou as “suas” eleições. Neste momento o grande facto político é que ele é o líder e figura da alternativa à direita do PS, o resto fica para nós comentadores andarmos entretidos com as métricas dos valores morais e democráticos!
