A sessão solene do 25 de Abril de 2026, em Paços de Ferreira, não foi uma simples evocação da Revolução. Decorreu já num novo ciclo autárquico, marcado por novas lideranças na Câmara Municipal, na Assembleia Municipal e em várias Juntas de Freguesia.
Ao nível do Município, Paulo Ferreira (PS), como Presidente da Câmara Municipal, e António Coelho (PSD), como Presidente da Assembleia Municipal, conduziram, pela primeira vez nas respetivas funções, a celebração institucional da efeméride. Fizeram-no de forma distinta e bastante diferente do registo que marcou os mandatos anteriores, vincando diferenças de estilo, de filosofia política e de relação entre as instituições democráticas.
A sessão contou com três intervenções partidárias, pela ordem CHEGA, PS e PSD, todas asseguradas por mulheres: Patrícia Nascimento, Francisca Pinto e Alice Clara Silva. Este facto traduz uma vitalidade democrática reconhecível e revela opções políticas e estratégicas diferenciadas. No caso do CHEGA, a opção por uma deputada municipal e deputada à Assembleia da República sublinhou a centralidade das mulheres num partido que, nas últimas eleições legislativas, se afirmou como segunda força política a nível nacional e também em Paços de Ferreira, ultrapassando o PS. Recorde-se que este último elegeu igualmente como deputado à Assembleia da República o então Presidente da Câmara Municipal, Humberto Brito. No caso do PS, a escolha de uma jovem deputada municipal traduziu uma aposta clara na juventude e na renovação política, sinalizando uma leitura de futuro, uma recomposição geracional da representação política local e uma aposta assumida nas mulheres. No caso do PSD, a intervenção da Presidente da Junta de Freguesia de Paços de Ferreira evidenciou a valorização do poder local de proximidade, do papel político dos Presidentes de Junta no equilíbrio do sistema autárquico e da importância do 25 de Abril no reconhecimento da igualdade e da dignidade da mulher.
“São sinais distintos, mas reveladores das prioridades e das leituras estratégicas de cada força política neste novo ciclo, com uma coincidência relevante: a escolha de mulheres como porta-vozes.”
As intervenções institucionais do Presidente da Assembleia Municipal e do Presidente da Câmara Municipal enquadraram a sessão num registo de normalidade democrática e de respeito pelas instituições, revelando sensibilidades diferentes, mas clara sintonia na defesa dos valores e dos ideais de Abril.
Este novo ciclo ficou também marcado por uma opção clara de abertura e de recuperação da memória autárquica. Foram convidados os anteriores Presidentes da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal. Estiveram presentes os antigos Presidentes da Assembleia Municipal, José Bastos (PSD) e Ricardo Pereira (PS), num sinal de continuidade democrática e de respeito pelas funções exercidas. Em contraste, foi notória a ausência dos anteriores Presidentes da Câmara Municipal na Sessão Solene do 25 de Abril, um facto que, sem necessidade de leituras forçadas, não deixa de ter significado político num momento de transição e redefinição institucional.
A sessão decorreu, assim, num quadro de pluralismo político, normalidade democrática e respeito institucional, refletindo uma nova forma de estar no poder local.
Este novo tempo de governação, em que o Presidente da Câmara precisa de dialogar com a oposição, exige equilíbrio e respeito mútuo entre os órgãos autárquicos, para que o triângulo autárquico (Assembleia Municipal, Câmara Municipal e Juntas de Freguesia) funcione de forma articulada e promova, de modo efetivo, o Bem Comum do concelho de Paços de Ferreira.
Viva a Liberdade!
Viva a Democracia!
Ricardo Pereira, abril de 2026.

