No país, um em cada três Agrupamentos de Centros de Saúde (ACeS) não tem fisioterapeutas. Lisboa e Vale do Tejo e o Norte são as regiões com os valores mais baixos de Portugal, sendo que a última não chega sequer a ter um fisioterapeuta para cada cem mil habitantes.

O alerta foi deixado pela Associação Portuguesa de Fisioterapeutas (APFisio) no Dia Mundial da Fisioterapia, que se assinala esta terça-feira. A entidade reforçou “a necessidade urgente de um forte investimento em recursos humanos de fisioterapia nos Cuidados de Saúde Primários”.

Citado numa nota de imprensa da APFisio, o presidente, Adérito Seixas, afirma que a falta de profissionais afetos ao serviço público não se constata apenas nos Cuidados de Saúde Primários.

“No global, considerando os hospitais públicos e os Cuidados de Saúde Primários, o número de fisioterapeutas no sistema de saúde público é pouco superior a mil. Vemos estes números com muita apreensão”, considerou o dirigente.

Outro problema, aos olhos de Adérito Seixas, é a acessibilidade do cidadão aos cuidados de fisioterapia, sendo que “o Estado investe na formação de elevada qualidade dos fisioterapeutas, mas ao mesmo tempo apresenta grande inércia na criação de condições que garantam o acesso do cidadão aos cuidados destes profissionais”.

E, ainda que a esperança média de vida aumente cada vez mais em Portugal, sendo que atualmente ronda os 81 anos, dados do EUROSTAT indicam que, em média, os portugueses vivem apenas 58,6 anos sem problemas de saúde moderados ou severos.

“Para a APFisio, esta realidade é demonstrativa da necessidade de promover uma adequada utilização dos recursos de fisioterapia, o que permitiria obter ganhos em saúde nas pessoas com aquelas condições”, lê-se na nota.

Segundo a entidade que representa os profissionais de fisioterapia, a mudança de atuação permitiria também ganhar eficiência no Serviço Nacional de Saúde, com a redução de consultas médicas, de exames de diagnóstico, de procedimentos cirúrgicos, de absentismo laboral e de um retorno mais rápido à atividade e melhoria da participação social.

“Tendo por base relatórios internacionais, a APFisio acredita que os gastos de saúde poderiam ser entre 40 a 60% mais baixos se a tendência do aumento de esperança de vida fosse acompanhada pelo mesmo valor de melhoria da capacidade funcional”, rematou.

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