O Ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, presidiu à abertura da 45.ª edição da feira agrícola Agrival, em Penafiel, tocou concertina e destacou a importância do setor primário na vida das comunidades, já que os agricultores, “que são aqueles que põem comida na mesa”.
A maior feira agrícola do Norte e Centro do país abriu portas esta sexta-feira, em Penafiel, onde vai decorrer até dia 30 de agosto, num pavilhão totalmente requalificado, preparado mais dar mais conforto e segurança às centenas de expositores e dezenas de milhares de visitantes esperados.
Na cerimónia de abertura do evento, José Manuel Fernandes, Ministro da Agricultura e do Mar reforçou a importância dos agricultores, “aqueles que põem comida do prato” e “o melhor amigo do ambiente”, e da agricultura, que é “nos dias de hoje, defesa, segurança, proteção civil” e assegura “sustentabilidade ambiental”.
“O agricultor não é o vilão”, referiu, destacando a modernidade do setor nos dias de hoje, “utilizando cada vez mais a inteligência artificial, a economia dos dados, a robótico. É uma agricultura de precisão, que queremos que seja valorizada, reconhecida”.
Falando em particular da Agrival, “uma festa, um espaço de encontro”, destacou o facto de a requalificação do pavilhão ter sido efetuada com fundos europeus, da política de coesão, que têm como objetivo diminuir as assimetrias regionais. “E devem ser investidos onde são mais necessários”, frisou, assinalando que este é o papel dos fundos comunitários, contribuir para a coesão territorial.
Prosseguindo com os fundos comunitários, explicou que o Programa Operacional Regional Norte 2021/2027 tem 3.400 milhões de euros, sendo que até 2024 na agricultura, “foi investido zero”. “Isto é inaceitável. E por isso há aqui um desafio para os presidentes das CIM’s, que é o de se entenderem sobre projeto essenciais na indústria de transformação, no apoio à agricultura, para os próximos fundos de 2028/2034. E em territórios como este, para termos coesão territorial, atratividade, investigação e inovação. Só o faremos com agricultura, com floresta, com indústria de transformação, com a agroindústria”, acrescentou.
300 empresas presentes de 22 ramos de atividade
Pedro Cepeda, presidente da Câmara Municipal de Penafiel, recordou que a matriz rural que esteve na base da feira evoluiu, tendo esta hoje um cariz multissetorial e multidisciplinar. E, exemplo disso, são as mais de 300 empresas que participam no certame e que representam 22 Classificações de Atividades Económicas (CAE) distintos, sendo 55% oriundas dos 11 concelhos do Tâmega e Sousa e as restantes de 17 concelhos do país.
Segundo o autarca, manter a organização da feira é honrar a história, mas também o setor e os produtos locais e, este ano, houve a preocupação de lhes dar melhores condições, “com mais conforto, num espaço com melhor eficiência energética, modernizado e com mais segurança”, para as cerca de 200 mil pessoas esperadas.
Falando dos desafios para o setor, Pedro Cepeda destacou a necessidade da renovação geracional dos que se dedicam à agricultura e ao desenvolvimento rural, e alertou para o problema da rentabilidade do setor, “onde os custos de contexto são cada vez maiores e onde as matérias primas são cada vez mais caras”. Assim, assegurou que a autarquia irá continuar a ajudar o setor, a criar valor “e a criar valor acrescentado aos seus produtos”. “Porque só assim, através da inovação, da diferenciação e da valorização desses produtos é que conseguimos que este setor tenha esta renovação geracional e possa trazer essa maior rentabilidade. Porque, na verdade, os produtos tradicionais, só têm futuro, se conseguirmos transformar essa identidade, essas caraterísticas próprias, em valor acrescentando para o consumidor e para o produtor”.
E, segundo o autarca de Penafiel, a Agrival também encara esses desafios com “grande determinação”. E, nesse sentido, a Câmara Municipal de Penafiel pediu um estudo que vai analisar o volume de negócios feito durante os dez dias da feira. “Entendemos que é importante fazer a avaliação das políticas públicas, mas também é importante termos dados para refletir sobre o caminho que queremos seguir”, concluiu.
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