No Cais de Entre-os-Rios, em Penafiel, decorre até amanhã, domingo, o Festival da Lampreia. O certame, que regressa após dois anos de interrupção, foca-se na acessibilidade com doses individuais a preços simbólicos para atrair novos públicos e celebrar a identidade ribeirinha.
O arranque do Festival da Lampreia, em Penafiel, ficou marcado pela tónica na valorização deste “ciclóstomo único” como um pilar estratégico para o turismo e a economia local. Pedro Cepeda, presidente da Câmara Municipal de Penafiel, destacou a importância de manter viva uma tradição que define a região. “Este festival tem a particularidade de trabalhar um produto tradicional, confecionado por mãos conhecedoras, cujo saber confere uma característica única”, afirmou o autarca.
Numa altura em que o preço da lampreia tem registado subidas acentuadas, a organização apostou num modelo que democratiza o acesso ao prato, vendendo doses individuais, por 20 euros, com o objetivo de atrair apreciadores mais antigos, mas também as camadas mais jovens.
“A população mais jovem começa a ter interesse nesta iguaria. A opção por provar a dose individual a um preço mais simbólico ajuda a atrair esta faixa da população”, sublinhou Pedro Cepeda, notando que o volume de reservas já efetuadas é um sinal positivo.
Rota da Lampreia e o papel da Confraria
Além do festival no Cais, a Rota da Lampreia decorre em simultâneo em 15 restaurantes do concelho. Após dois anos de ausência devido à escassez do produto, o Município recuperou um modelo de “provas dadas”, contando com a estreita colaboração da Confraria da Lampreia de Entre-os-Rios.
Vítor Agostinho, Grão-Mestre da Confraria, mostrou-se otimista quanto ao sucesso da edição de 2026, revelando que existe uma maior abundância de lampreia este ano. O responsável destacou ainda o Capítulo da Confraria, agendado para o próximo dia 28 de março, que contará com a entronização de três novos membros e a presença de várias confrarias nacionais e espanholas, reforçando a projeção internacional do produto.
Impacto Local e Regional
Para Isabel Guedes, presidente da Junta de Freguesia de Eja, o evento é o culminar de uma estratégia que une património e economia. A autarca enalteceu o cenário “deslumbrante” de Entre-os-Rios como o pano de fundo ideal para degustar um recurso endógeno que sobreviveu à construção das barragens e permanece enraizado na cultura das gentes da zona ribeirinha.
O festival decorre até domingo, esperando-se uma forte afluência de visitantes de toda a região ao longo de todo o fim de semana.
