Freamunde assinalou os 25 anos de elevação a cidade com a homenagem a três vultos da cultura e da política local: Rosalina Oliveira, José Carlos de Vasconcelos e Vitorino Ribeiro. São três percursos diferentes, com filiações políticas distintas, que marcaram a vida da terra em tempos e contextos diversos.
A cerimónia realizou-se no Auditório Fernando Santos, na Casa da Cultura de Freamunde. Este dado é relevante. Não se trata do palco onde Fernando Santos desenvolveu o seu trabalho no GTF, mas de um espaço público que tem o seu nome e que simboliza o reconhecimento da sua importância na vida cultural da vila e da cidade.
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Rosalina Oliveira (PSD) Teve um percurso longo e consistente, ligado ao ensino, à poesia, à prosa, ao jornalismo e à política local. Professora, foi também presidente da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira, desempenhando funções num tempo em que a participação política exigia grande disponibilidade, presença permanente e sentido de responsabilidade. Durante décadas, Rosalina Oliveira foi a professora que, através das suas explicações, permitiu a muitos jovens de Freamunde e freguesias limítrofes preparar os seus estudos e apresentar-se a exame como autopropostos. Na prática, assegurou, para muitos adolescentes, jovens e adultos, o ensino secundário na terra até à chegada da escola secundária.
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José Carlos de Vasconcelos (PRD) Regressa sempre a Freamunde com o encanto de quem regressa às origens. Aqui nasceu. Foi a partir daqui que construiu um percurso nacional marcado pela defesa da liberdade de imprensa, da cultura e da cidadania, também no plano político, enquanto líder do PRD, no tempo de Ramalho Eanes. Jornalista, poeta, advogado e deputado, atravessou o período da censura sem abdicar da palavra. Quando fala da alegria de dormir na cama onde nasceu, fala de uma liberdade concreta, vivida e situada.
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Vitorino Ribeiro (PS) Sempre ligou política e cultura de forma natural. O seu percurso político é inseparável do seu envolvimento cultural, vivido durante muitos anos no GTF, no palco onde Fernando Santos desenvolveu o seu trabalho teatral. Esse contacto com o teatro foi também uma escola cívica, onde a palavra, o silêncio e a presença em palco tinham peso e responsabilidade. Empenhado e dedicado em várias associações, reinventou-se posteriormente no desenho e na ilustração. Os livros sobre figuras e sobre Freamunde guardam o seu traço inconfundível.
Formalmente, foram homenageadas três pessoas. Três protagonistas da política e da cultura freamundense, vindos de partidos diferentes. O local escolhido para a cerimónia acrescenta ainda, para quem conhece a história, uma leitura que nasce do próprio espaço e da sua memória, Fernando Santos.
Foi um privilégio muito grande e senti-me lisonjeado por partilhar um xi coração com cada um dos homenageados e por ter encontrado Fernando Santos a acolher tão significativas homenagens.
Viva Freamunde!
Ricardo Pereira, 19 de abril 2026
