Por motivos específicos, recordo que a Crónica é um texto personalizado que visa, sobretudo, situações da actualidade… É sempre um texto que faz a análise de uma situação actual, oportuna… Só por isso, quase só por isso, volto-me hoje para o último número do Jornal Imediato, em papel, que contém dois ou três textos que mereceram a minha atenção e também, naturalmente, o meu comentário.
O Editorial é sempre, terá de ser, um texto importante a merecer a atenção dos leitores. Este último, aquele a de me refiro, com data de 7 de Agosto, mereceu a minha leitura cuidada. Concordei, quase na íntegra, com a opinião do Director do jornal. Agosto é, sem qualquer dúvida, um mês muito difícil para férias… Hoje, nada é como era, hoje não é possível ver e descobrir o que antes era fácil, sem atropelos…
Longe vai o tempo do Verão em que era possível viajar para descobrir, aprender, hoje só mesmo os aventureiros conseguem encontrar o que, em sossego, imaginaram ver… Tudo mudou, para pior, acredito!
Também não concordo com o uso e abuso da língua inglesa para defender ou ostentar o que se pretende mostrar, por aqui! Que me importa que se tenham apresentado 30 esculturas em forma de cadeira no Parque Urbano de Paços de Ferreira? Não me interessa nada que essas “intervenções artísticas” sejam arrojadas e simbólicas se, para os mais atentos, isso não passa de ostentação agressiva, sem significado, que não homenageia nada, nem forma, nem conteúdo… O vermelho, aqui, tem uma conotação que nada tem a ver connosco… Então o verde e o amarelo desaparecem porquê? Se aquilo que se fez, que se mostrou e distribuiu naquele longo espaço, são ou deverão ser consideradas as cadeiras que evocam a nossa História, o início da nossa tradição ligada ao mobiliário, esse objecto que evoca o quase início da indústria do móvel no Concelho, isso deverá continuar a chamar-se “cadeira”! O recurso ao inglês para quê? Temos uma língua rica, difícil sem dúvida, uma língua que, como todas, está em permanente evolução mas, também por isso, temos de a usar, de a preservar, temos de a aprender e ensinar! Que se guarde o inglês para outros fins, usemos a língua portuguesa sempre que possível ou sempre que o espaço de utilização o exija… Nós não temos de nos submeter ao inglês, como moda, se a nossa origem é latina, se o nosso código de comunicação é o português! O uso dos estrangeirismos sem motivo, o recurso ao “quase latim” nos nomes que por aqui se pretendem usar, só mostra que se sabe muito pouco sobre a nossa origem, sobre o nosso mais sincero meio de comunicação… São cadeiras? Então diga-se que são cadeiras!
Estou triste com as tais recentes manifestações de arrojo ou, sei lá, de mania ou vaidade que por aqui se pretende implementar! Se o que se vê e o que se ouve, definem o nosso perfil ou quase submissão ao que vem do exterior, então estamos mal, muito mal, mostramos que estamos longe de evoluir com rigor, de acordo com o tempo que passa e que, também aqui, deixa marcas…
Vamos tentar que todos sejamos mais coerentes com a nossa História, com a nossa origem, com o que aprendemos ou ainda podemos aprender em função do nosso código de comunicação. Estamos em Portugal, comunicamos em português e, aqui, é essa a Língua que devemos usar ou que, naturalmente devemos aprender… Gosto do Vermelho quando é lógico ser usado… Aprendi outras línguas mas, no espaço, que habitamos, devemos falar português… Isso também é Cultura!

