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Como os clubes de formação portugueses preparam os jogadores para a pressão mediática

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Academia Pro. Albino de Matos

Os jogadores parecem dar todos as mesmas respostas? Bem, se já reparou nisso, saiba que todos eles tiveram o mesmo media training, ou, pelo menos, as bases são praticamente as mesmas. Porém, as coisas podem descontrolar-se. Nem todos os jogadores sofrem da mesma pressão mediática (Cristiano Ronaldo que o diga) e, como são humanos, por vezes podem fugir do “script”.

Contudo, esse guião está bem decorado e vem das academias, onde algumas das melhores do mundo estão em Portugal. Em outubro de 2025, o CIES colocou o Benfica no topo das melhores academias do mundo, pela segunda vez consecutiva. Noventa e três jogadores formados pelo clube estavam ativos em 49 ligas em todo o planeta. O Sporting ficou em sexto lugar, com 76. Não é só talento técnico que Portugal exporta.

Uma pressão que chega cedo demais

Isto pode começar mais cedo do que devia. Quem se lembra do caso de Yamal, que já fazia manchetes atrás de manchetes com 16 anos? Apenas para citar um dos casos internacionais mais mediáticos, pois a nível nacional, as situações podem ser semelhantes. Rodrigo Mora é um dos casos mais recentes, ou ainda Quenda. Cada vez mais o mediatismo acontece numa fase muito precoce da vida destes jogadores, e os clubes estão atentos a isso.

A pressão mediática não chega sozinha. Vem acompanhada de uma máquina comercial: agentes a funcionar como empresários, contratos de imagem, sponsors, marcas e plataformas digitais que disputam a atenção. A nível internacional, não são poucos os países onde é legal apostar em competições jovens ou de formação. O que não é o caso em Portugal, felizmente.

Isto deve-se ao facto da SRIJ não o permitir, o que não impede a Luckia, que é legal em Portugal, de oferecer esse tipo de aposta na vizinha Espanha. A este propósito, não hesite em usar o código promocional Luckia e ativar um bónus de boas-vindas se gostar de jogar de forma consciente e recreativa.

Fechando a parêntese, os clubes perceberam que esta exposição precoce, mediática e comercial, pode trabalhar a favor ou contra o jogador, dependendo de como é gerida. A resposta foi integrá-la no processo de formação: melhor aprender a lidar com isto num contexto protegido do que descobrir sozinho num clube estrangeiro sem ninguém por perto.

Psicologia como parte do treino, não como extra

Ana Bispo Ramires trabalhou durante dez anos com o Benfica na preparação psicológica dos escalões de formação. O que ela diz sobre estes casos é claro: o apoio familiar é insubstituível, mas o clube tem de ter estrutura para gerir a componente mediática da transição para o profissionalismo. No Benfica, segundo a própria, existe um departamento robusto dedicado a esta vertente.

Nos grandes clubes portugueses, a psicologia desportiva deixou de ser um recurso opcional. Faz parte do plano de treino. Concentração, controlo emocional, gestão da crítica pública, postura em conferência de imprensa: tudo isso é trabalhado com regularidade. A diferença entre um jogador que rende e um que desaparece após a primeira época difícil muitas vezes não está nas pernas. Está na cabeça.

Alcochete, Seixal e o que acontece dentro das academias

A academia do Sporting em Alcochete, inaugurada em 2002, formou jogadores como João Moutinho, Nani, Rui Patrício e William Carvalho antes de, em 2020, passar a chamar-se Academia Cristiano Ronaldo, em homenagem ao seu produto mais famoso. O método de formação leonino combina a parte técnica e tática com aquilo que o clube chama de valores desportivos e culturais para a transição para o profissionalismo.

No Seixal, o Benfica Campus funciona com internato, apoio escolar integrado e acompanhamento psicológico contínuo. A ideia central é simples: um jogador de formação está em construção em todas as dimensões, não apenas na desportiva. Isso inclui saber como se comportar quando a câmara está ligada e quando está desligada.

O que se aprende antes de sair

A preparação prática inclui simulações de conferências de imprensa, orientações sobre redes sociais e trabalho específico sobre como reagir à crítica pública depois de um mau resultado. Num país onde um jovem da formação pode ter dezenas de milhares de seguidores antes de estrear na equipa principal, a gestão da presença digital é tão importante quanto a gestão física.

A psicóloga fala também numa corresponsabilidade entre clubes, agentes e famílias neste processo. Quem forma o jogador, quem o recebe e quem o representa partilham a responsabilidade de garantir que a transição é feita com as condições certas. Quando isso não acontece, os exemplos de carreiras interrompidas cedo demais falam por si.

O resultado está nos números

Portugal ter dois clubes no top-10 mundial de formação não é apenas uma questão de infraestrutura ou de investimento. É o reflexo de uma filosofia que trata o desenvolvimento do atleta de forma integral. Os jogadores que saem dessas academias chegam ao futebol profissional preparados para jogar, mas também para resistir ao que vem com isso.

Rúben Dias disse, sobre a pressão mediática na seleção, que nunca viu um momento difícil como uma muralha intransponível, mas como uma pedra sobre a qual se pode subir mais alto. É a mentalidade de alguém que foi formado para resistir. E não é o único.

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