Em 2003, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a International Association for Suicide Prevention (IASP) estipularam o dia 10 deste mês como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. A OMS constata que, a cada 40 segundos, ocorre um suicídio! A UNICEF diz-nos que, a cada 11 minutos, um jovem morre por suicídio. Em Portugal, todos os dias, “cerca de” três pessoas morrem por suicídio! A Linha Nacional de Prevenção do Suicídio, 1411, registou, logo nos primeiros sete meses, 14 000 chamadas! Um assunto demasiado sério para ser pensado apenas neste dia ou neste mês, denominado “amarelo”.Designação esta, atribuída pelo movimento Yellow Ribbon Suicide Prevention Program decorrente do suicídio de um jovem, Mike Emme, de 17 anos, no interior do seu automóvel, um Ford Mustang amarelo. Infelizmente, as estatísticas serão provavelmente bem maiores entre aqueles que apresentam ideação suicida, comportamento para-suicida ou mesmo tentativa de suicídio.
De que sofrimento fogem estas pessoas? A tipologia dos sofrimentos está patente na “Lei de Bases dos Cuidados Paliativos”. Sofrimento físico? Sofrimento psicológico? Sofrimento social? Sofrimento espiritual?
Não está em causa menosprezar o sentimento de desespero profundo sentido pela pessoa em risco de suicídio, nem sequer essa eventual decisão! Ela, com os recursos que tem naquele momento, está a tomar uma decisão alegadamente… “lógica”! Qual o ser humano que gosta de sofrer? Dando um exemplo simplista, se hoje o caro leitor tiver uma dor intensa de dentes, amanhã estará no dentista! Pela simples razão de que quer que essa dor desapareça! O suicídio é um ato que, perante um alegado sofrimento intenso, procura pôr-lhe fim. Como não “vê saída”, o pensamento poderá ser: “Se estou vivo, mas estou em desespero e sem solução à vista, se morrer, tudo acaba e não sofro mais!” Esta crença limitante, extremamente enraizada e para a qual faltam evidências, leva inúmeras pessoas a recorrer ao suicídio. Será mesmo a morte uma solução? Provavelmente… não!
Afinal, eles apenas querem deixar de sofrer… mas gostariam de viver! Bastaria colocar-lhes a seguinte questão: “Se a causa desse sofrimento desaparecesse, querias viver?” Obviamente que sim! O foco apenas cristalizou-se no sofrimento!
Não deixa de ser curioso que o prisioneiro número 119 104, que esteve em quatro campos de concentração, apesar de todas as ações inqualificáveis que ali ocorriam, encontrou um sentido para a vida, apesar do intenso sofrimento, a todos os níveis. Esse prisioneiro, Viktor Frankl, constatou que os prisioneiros dos campos de concentração tinham mais vontade e esperança de viver que muitos jovens da cidade onde vivia, a quem não lhes faltava nada, materialmente! Segundo ele, o “vazio existencial” desses jovens era uma das grandes causas do suicídio. Não faltará aos nossos jovens uma reflexão profunda sobre o que é “Viver”? Uma reflexão sobre o sentido teleológico do sofrimento? (Que é diferente de o desejar ou provocar) Não faltará uma educação tanatológica (assente na evidência) ou, melhor, uma tanatopedagogia? Claro que falta!
É fundamental promover um “mapa mental” nos nossos jovens, assente na evidência, que promova o entusiasmo por viver, aprender e superar-se, com flexibilidade cognitiva, tranquilidade e resiliência. O Coaching não sendo psicologia nem terapia, cumpre perfeitamente esse papel, pois trabalha o desenvolvimento do Ser para saber Ser…no futuro!
Através da prática do Coaching, é possível provocar reflexões profundas e promover o pensamento crítico existencial. É possível ainda, sem tabus, refletir sobre “a morte e o morrer”, para que o coachee mude o foco do “sofrimento” para o foco da “superação” e da “realização pessoal e profissional”. Promove igualmente o desenvolvimento da Inteligência Espiritual, podendo desta forma combater o “vazio existencial” e contribuir para que o coachee encontre o sentido e o propósito da sua Vida, aconteça o que acontecer!
Finalmente, e nunca é demais referir, a importância de ajuda especializada, nomeadamente recorrendo à Linha Nacional de Prevenção do Suicídio, nº 1411.
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