Dia 24 comemorou-se o Dia Nacional do Estudante. Não deixa de ser curioso que a palavra “estudante” derive do verbo latino “studere” o que para os Romanos significava algo como:
- Desejar com ardor.
- Aplicar-se com zelo.
- Ter paixão ou inclinação por algo.
- Esforçar-se.
Ser “estudante” será portanto alguém que busca conhecimento e o faz com motivação e entusiasmo.
Por vezes, a palavra estudante é substituída pela palavra “aluno”, que deriva também do latim alumnus (de alere: alimentar). Provavelmente será uma postura mais passiva, “aquele que é “alimentado” de…conhecimento!
Assim sendo, ser estudante/aluno (certo), é buscar o alimento (certo) com o professor (certo) num ambiente de aprendizagem (certo). A questão que se coloca é que existem muitos “certos” e, infelizmente, a coexistência de todos eles, para os diferentes níveis de ensino, será estatisticamente pouco provável, como se mostra:
- Constata-se que, dos jovens entre os 15 -34 anos, 11% completaram apenas o ensino básico e destes, 31% “não gostava de estudar/falta de interesse” e 9% “não eram bons estudantes/dificuldades académicas”. Por sua vez, dos alunos que estão no ensino básico ou secundário, 23% não têm intenção de frequentar o ensino superior. Destes, 24% e 22% respetivamente “não gostam de estudar/falta de interesse” e “não são bons estudantes/dificuldades académicas”, segundo o relatório “Os jovens de Portugal hoje”- Fundação Francisco Manuel dos Santos.
- No estudo “Ecossistemas de Aprendizagem Saudáveis nas Instituições de Ensino Superior em Portugal”, os investigadores referem que 30% dos alunos abrangidos estão “em elevado risco clínico”, apresentando três ou mais sintomas de ‘burnout’ e que 40% dos estudantesuniversitários tomam psicofármacos semanalmente.
- Por sua vez, decorrente do inquérito efetuado pelo Movimento de Professores em Monodocência (MPM), 98% dos professores do 1º ciclo e educadores de infância, demonstra sentimentos negativos em relação ao dia a dia de trabalho, realçando a “exaustão”, “indignação” e “sobrecarga”.
- No ano letivo 2024/2025, segundo a PSP, embora tenha havido um decréscimo de 5,3% de ocorrências criminais face ao ano anterior, houve um aumento de 36,8% de crimes com recurso a armas pelos mais jovens.
- Por outro lado, segundo informação da reconhecida Drª Tânia Gaspar, um em cada quatro jovens no nosso país, apresentam comportamentos autolesivos, com ou sem objetivo suicidário, para lidar com o sofrimento psicológico.
- …
Mudanças são necessárias. Obviamente, que os “certos” referidos anteriormente não fazem sentido! porque ninguém, nem nada é… “certo”! Tudo está em constante mutação e, supostamente, em evolução! O aluno não é “certo”, tem as suas razões e motivações para ser como é, mas é obrigado a aprender ao ritmo do melhor aluno! O professor não é “certo”, mas vê-se obrigado a “debitar” matéria para cumprir o programa com o qual, frequentemente, não concorda. O aluno violento na escola apenas repete o comportamento do bairro em que vive, como medida de proteção! Os alunos são como as pipocas! Pode colocar os grãos de milho na pipoqueira, uns vão originar pipocas, outros vão torrar e, finalmente, a outros nada acontece! Cada grão tem o seu tempo! De igual forma, cada aluno tem o seu tempo! Cada jovem é um mundo e esse mundo tem que ser refletido, analisado e melhorado (ambiente familiar, condições socioecnómicas, culturais,…) no sentido de proporcionar condições mais favoráveis para o processo de ensino/aprendizagem. Tem a escola, o professor, os pais, tempo para ele? Infelizmente não!
É aqui que o Coaching faz sentido. O Coaching não é psicologia nem terapia, mas é uma ferramenta promotora de reflexões profundas, conducente a um desenvolvimento pessoal consciente e orientado para resultados. O jovem, agora com um “software mental” atualizado, sabe onde está, aonde quer ir e o caminho que é necessário percorrer, assumindo as consequências dos seus atos. Só agora é que este jovem pode receber o título de “estudante” ou “aluno”. Só assim ele conhece as suas motivações e expetativas, só assim quer ser alimentado pelo conhecimento, como forma de promover o pensamento crítico e adquirir competências fundamentais para o seu futuro profissional. Mas qual o ambiente escolar presente na sala da aula? Alunos que não têm (ainda) competência para se alimentarem do conhecimento e professores (quase sem alternativa), qual hospital, empurrando esse conhecimento como que por “sondas nasogástricas”, sem passar pelo cérebro, devido à falta de consciência dos alunos. Assim, são precisos alunos com fome de conhecimento e professores que saibam alimentar (de forma raciocinada) ao ritmo certo, e promovam ainda mais a curiosidade e os torne “obesos” …de conhecimento!
Através da Prática do Coaching, caro estudante/aluno, desenvolva a sua inteligência cognitiva/emocional/espiritual. Identifique a sua vocação …e torne-se num verdadeiro estudante/aluno com o prazer de aprender, evoluir e atualizar-se, enquanto profissional, ao longo da vida.
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