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Coaching…para quê? (212) – AS ORGANIZAÇÕES SÃO COMO OS MELÕES

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Dizem os entendidos que um melão maduro e doce deve apresentar algumas características quer em termos tácteis, visuais ou olfativos. Assim, os sinais exteriores serão obviamente aqueles que irão suscitar emoções “positivas” que atrairão o consumidor ou “negativas”, que irão criar aversão. Numa análise simplista, o mesmo ocorre nas organizações. A emoção “positiva” que a organização cria no potencial cliente, resulta dos seus meios de publicidade e neuromarketing. O sucesso destes meios está dependente da gestão estratégica da imagem, identidade, valores, reputação, etc, resultantes do branding. Até aqui, quer nos melões quer nas organizações, quase já estamos a “salivar” pelo melão ou pelo produto/serviço disponibilizados. Mas…existe sempre um mas! Mas, no caso dos melões, e apesar da “boa” escolha do vendedor (que observou, apalpou e cheirou uns tantos melões), em casa é que ocorre a verdadeira emoção…vamos ver se é mesmo bom! É quando espetamos a faca no seu interior…e o abrimos! E, frequentemente, é uma desilusão! Provavelmente, depois é que nos lembramos do que o vendedor tinha dito “só comer daqui a dois dias”!

Nas organizações ocorre exatamente o mesmo…

Graças à tecnologia digital e IA (“Inteligência” Artificial), é possível criar imagens/vídeos super sugestivos, testemunhos excelentes de falsos clientes, textos fofinhos e atraentes para a Missão, Visão e Valores, etc.  A organização apresenta certificações na qualidade, ambiente, segurança ou até  felicidade organizacional.… Claro que é um ótimo indício …mas, pode ser apenas uma estratégia inicial, com pequenas ações isoladas para seguir tendências e sem consequências estruturantes! Daí os termos Greenwashing, Security washing, Happy/Wellbeing washing, ou qualquer outro “washing”, não deixa de ser apenas uma “fachada” da qualidade, da segurança, da sustentabilidade ou do bem-estar e felicidade organizacional! Esta é a forma de pintar o “melão” com as cores saturadas de maduro e parecer super gostoso! Pouco adianta à organização, nas suas instalações, ter um design excelente, paredes com cores sugestivas (psicodinâmica das cores) ou até mesmo um “perfume” com um cheirinho único, que prende o cliente pela sensor mais antigo e instantâneo do ser humano que é o…cheiro!

Nas organizações, tal como nos melões, só depois de “abertas” é que sabemos o seu real valor! Há duas formas de ver o interior do “melão”:

A primeira, a mais comum, é como simples cliente, ou seja, depois de usufruirmos do atendimento e da qualidade (ou não) do serviço prestado (forma e conteúdo)! Aqui não serve o conselho “só daqui a dois dias” é que somos realmente bons! É a forma menos intrusiva e que nos direciona para o interior da organização! O colaborador(a) que nos atendeu, por vezes não possui as competências apropriadas (PowerSkills – científicas, técnicas, operacionais, entitativas, socioemocionais…) e mesmo que as possua falta-lhe vitalidade, entusiasmo…prazer em fazer o que está a fazer! Se nem sequer fomos bem atendidos, pelo mesmo preço e produto igual, vamos à concorrência! Quando a organização presta vários serviços, os clientes, com o tempo, começam a avaliar quais são os melhores e os “piores” profissionais afetos a esses serviços…e fazem a sua seleção! Daí ser comum, frases do género: “nessa temática o melhor profissional é fulano X na organização Y”

A segunda é estar dentro da organização. Todos os colaboradores com mais de 5 anos numa organização têm elevada probabilidade de já estarem desencantados com a mesma! A paixão inicial (se é que houve) acabou! São bons profissionais (obviamente), mas meros robôs que repetem as suas tarefas dia após dia, frequentemente sem serem reconhecidos (material e imaterialmente), sem desafios profissionais, sem progressão na carreira, além de não serem “tidos nem achados” nas decisões! E quando o são (fica bonito), as suas sugestões nem sequer são consideradas ou ficam num vazio… “depois vamos ver”. Tornaram-se apáticos, com um sorriso profissional, ou nem isso, à espera que chegue a hora de ir embora no fim do dia ou mais tarde da organização.

Numa organização, onde a Cultura Organizacional é desconsiderada e a liderança desumanizada, criam-se ambientes tóxicos e negativos. Numa situação limite, a (falsa) evolução dos colaboradores, não se fundamenta na melhoria das suas aptidões/desempenho mas sim no prazer em ver o colega falhar! Se o outro falha mais que eu…eu sou melhor! Este comportamento denominado “ fail watching”, ou seja, “observar o outro a falhar” torna mais distante a promoção do colega e favorece quem observa. Estas ocorrências não se desenrolam em ambiente silencioso e são fecundas para o assédio laboral e bullying, onde as bocas irónicas, o riso, o gozo sobre a falha do outro, são uma constante. O “melão” desta forma, está completamente impróprio para consumo humano.

Assim, como os melões, as organizações veem-se por dentro! Dessa forma, o investimento na mudança “interior”, na melhoria contínua do “saber, saber fazer, saber ser e saber conviver” do colaborador, deve acompanhar o investimento na imagem “exterior”.

Através da Prática do Coaching após diagnóstico das disfuncionalidades, é possível através de reflexões profundas e conhecimento adquirido, implementar mudanças, não de fachada, mas sim estruturantes na promoção de boas práticas organizacionais, quer no âmbito da qualidade, sustentabilidade, segurança e bem-estar e felicidade organizacional.

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