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Caso Susana Costa: Defesa de Tiago Bento recorre para o Supremo e contrata peritos para provar falhas na investigação

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Caso Susana Costa: Defesa de Tiago Bento recorre para o Supremo e contrata peritos privados

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A defesa de Tiago Bento vai recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça após o Tribunal da Relação do Porto (TRP) ter mantido a condenação de 16 anos de cadeia pelo homicídio de Susana Costa, a mulher de 48 anos, natural de Seroa, Paços de Ferreira.
O crime ocorreu a 31 de janeiro de 2025 no Bairro de Francos, no Porto. Inconformada com a decisão judicial, que considerou a prova “linear e objetiva” , a família do operário de Canedo (Santa Maria da Feira) contratou uma empresa de consultoria forense para tentar reabrir o processo, alegando graves omissões na investigação da Polícia Judiciária (PJ).
Os novos dados são apresentados pelo Jornal de Notícias na sua edição deste sábado.

A tese da acusação e a versão do arguido

Na decisão da primeira instância, confirmada no mês passado pelo TRP , as juízas deram como provado que Susana Costa, uma mulher de 48 anos e toxicodependente, pediu boleia a Tiago Bento na noite do crime. Ambos terão consumido estupefacientes no interior do automóvel do arguido. Por motivos não apurados, Tiago Bento terá desferido vários murros na cabeça da vítima e esganou-a, abandonando o cadáver à entrada do Bairro de Francos.

A condenação baseou-se na presença de ADN de Tiago Bento numa unha da vítima e na descoberta de vestígios de sangue de Susana Costa em roupas guardadas no carro do arguido.

Contudo, a versão apresentada por Tiago Bento aponta noutra direção. O homem de 48 anos alega que estava com a vítima no carro quando três homens apareceram e a agrediram violentamente devido a dívidas relacionadas com o tráfico de droga.

Família e perito apontam lacunas nos exames de ADN

Em declarações ao JN, António Bento, pai do condenado, afirma continuar a acreditar na inocência do filho devido à ausência de “provas conclusivas”. Em declarações, sublinha que foram detetados perfis biológicos de outros homens nas unhas de Susana Costa que nunca foram comparados com os de outros suspeitos daquela zona conotada com o narcotráfico.

A família estranha ainda o facto de não ter sido analisado o sangue visível no tablier de uma viatura conduzida por um dos suspeitos, que chegou a ser detido por furto nas horas seguintes ao homicídio.

“Se a vítima foi asfixiada, devia haver ADN do Tiago no pescoço dela e não havia”, argumenta António Bento. O pai revela ainda que, cinco dias após entrar em prisão preventiva, Tiago Bento foi alvo de ameaças de morte, o que obrigou à sua transferência de ala prisional: “Ficámos com a sensação de que foi ameaçado para estar calado”.

Consultora forense propõe quatro novas perícias

Paulo Pinto, diretor da Foren — empresa de consultoria forense contratada pela família —, defende no mesmo artigo do Jornal de Notícias que subsistem “hipóteses alternativas que não foram testadas nem excluídas” pela investigação oficial. O especialista salienta que a presença de sangue nas roupas do arguido prova o contacto com a substância, mas “não demonstra, por si só, a dinâmica da agressão”.

Para o perito, o esclarecimento cabal do crime exige a realização de quatro novas perícias:

Paulo Pinto detalha ainda que o ADN do arguido se “circunscreve a uma única unha, sem lesões defensivas típicas documentadas e sem marcas recíprocas no arguido”.

Cronologia do caso

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