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Casa Amiga nasce em Frazão para acolher famílias em situações de emergência habitacional

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Casa tem capacidade para acolher nove pessoas

A Delegação de Frazão da Cruz Vermelha Portuguesa inaugurou esta sexta-feira a Casa Amiga, uma nova resposta de alojamento urgente e temporário destinada a apoiar pessoas e famílias confrontadas com situações de vulnerabilidade social e habitacional.

Instalada no Polo de Ação Social da associação do concelho de Paços de Ferreira, na Rua Dona Joaquina Vilela, a estrutura foi criada para dar resposta a situações de rutura inesperada, como casos de violência doméstica, despejos, acidentes ou outras circunstâncias que deixem cidadãos sem um local seguro onde permanecer.

Na cerimónia inaugural, o presidente da Delegação da Cruz Vermelha de Frazão, Joaquim Sérgio, destacou a urgência da resposta social. “Apesar de inaugurarmos hoje oficialmente esta casa, ela já está em funcionamento. A necessidade é gritante e não podíamos esperar por esta cerimónia para começar a responder”, afirmou.

Joaquim Sérgio, presidente da Delegação de Frazão da Cruz Vermelha Portuguesa

A Casa Amiga dispõe de seis quartos, nove camas, balneários, instalações sanitárias, cozinha e sala de convívio. Mais do que uma solução habitacional temporária, pretende ser um espaço de proteção e recuperação para quem atravessa momentos particularmente difíceis. “Esta casa está preparada para acolher, mas é mais do que um edifício equipado. É o lugar onde queremos oferecer segurança, dignidade e a possibilidade de recomeço”, sublinhou o responsável.

No discurso, Joaquim Sérgio salientou ainda que a obra resultou do esforço conjunto de várias entidades, nomeadamente o IEFP, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, o Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira – já que as obras no edifício foram realizadas por quatro reclusos do estabelecimento pacense –, a Junta de Freguesia de Frazão e a própria Cruz Vermelha. O dirigente destacou igualmente o contributo de voluntários, colaboradores e empresas que ajudaram a construir e equipar o espaço.

Aproveitando a presença de diversas entidades públicas, o presidente da delegação deixou um apelo à simplificação dos procedimentos administrativos. “Muitas vezes a burocracia atrasa as respostas, desanima quem está no terreno e pode levar-nos a desistir precisamente quando há pessoas que precisam muito de nós”, alertou.

Câmara atribui subsídio anual de 20 mil euros

Presente na inauguração, o presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, Paulo Ferreira, anunciou a celebração, nos próximos dias, de um protocolo de colaboração com a Cruz Vermelha de Frazão. “O município pagará anualmente 20 mil euros para assegurar o funcionamento deste espaço. Independentemente da sua ocupação, este protocolo garantirá sustentabilidade financeira à resposta e permitirá à Câmara dispor de um recurso para situações sociais urgentes e emergentes”, revelou.

Paulo Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira

O autarca considerou a Casa Amiga um equipamento “absolutamente fundamental” para o concelho, destacando a necessidade de reforçar respostas para problemas sociais e habitacionais cada vez mais frequentes. “Temos aqui disponível um espaço absolutamente fundamental. As pessoas estão em primeiro lugar e este projeto encaixa plenamente naquilo que é a nossa visão para o concelho”, concluiu.

Primeiro passo para projetos futuros

Orlando Carvalho, Diretor-Geral da Reinserção dos Serviços Prisionais, destacou o contributo de quatro reclusos do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, em regime aberto para o exterior, na concretização deste projeto, assim como a importância destes projetos na reintegração dos reclusos. “O cumprimento da pena é de execução progressiva, passam do regime comum ao regime aberto para o interior e depois para o exterior, perspetivando a liberdade condicional e a reinserção no mercado de trabalho”.

Orlando Carvalho, Diretor-Geral da Reinserção dos Serviços Prisionais

Segundo este responsável, este primeiro projeto realizado com a Cruz Vermelha de Frazão abre a porta a novos projetos a serem concretizados no futuro. “Esperemos que seja o primeiro de muitos porque neste momento já são quatro os reclusos que estão a exercer atividade na Casa Amiga”.

Projeto de “máxima importância”

Também Adriano Rafael Moreira, Secretário de Estado Adjunto e do Trabalho, marcou presença na inauguração da Casa Amiga, um projeto ao qual atribuiu “a máxima importância”. “É uma importância que atribuímos a todos os projetos de solidariedade no país. Nós não descuramos nem um único projeto e onde houve a boa vontade que há aqui, em que as pessoas se juntam em defesa daqueles que ficavam para trás. E este Governo prometeu e está a cumprir, que não podemos deixar ninguém para trás, temos que dar o devido destaque e o reconhecimento das pessoas. E a nossa vinda tem esse simbolismo, vai para além da obra, vai para reconhecer o esforço diário das pessoas que depois vão ficar aqui a trabalhar, porque isto começa hoje, não termina”, referiu.

Adriano Rafael Moreira, Secretário de Estado Adjunto e do Trabalho

Em Frazão, à margem da inauguração, o governante rejeitou que as instituições se estejam a substituir o Estado nas respostas sociais. “Temos instituições que começaram a entrar em complementaridade do Estado e em parceria. Há instituições que se vão criando, há outras com centenas de anos e andam de mãos dadas com o Estado”, referiu, certo de que o Estado dirá presente e apoiará a Casa Amiga de Frazão, assim que esta defina o seu projeto e valências e apresente as respetivas candidaturas.

 

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