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Cancro: detetar cedo salva vidas

medica CUF
maxibroker

A propósito do Dia Mundial do Cancro, que se assinala a 4 de fevereiro, importa reforçar uma ideia simples: detetar cedo salva vidas. Não é apenas uma frase feita. É o que acontece quando um tumor é encontrado numa fase inicial, antes de provocar sintomas ou de se espalhar. Nesta altura, os tratamentos tendem a ser menos invasivos, as cirurgias mais conservadoras e a probabilidade de cura aumenta de forma significativa.

Em Portugal, como noutros países europeus, há cancros particularmente frequentes – é o caso do cancro da mama, da próstata e do cólon e reto. Já o cancro do pulmão, muitas vezes associado ao tabagismo, mantém-se como um dos que mais contribuem para a mortalidade por doença oncológica. A lista é conhecida. O que ainda falha, demasiadas vezes, é chegarmos a tempo.

Para evitar diagnósticos tardios, existem essencialmente duas formas. A primeira é a avaliação precoce, o que permite detetar o cancro em pessoas sem sintomas, numa fase em que o tratamento pode ser mais eficaz. Em Portugal, existem programas de rastreio oncológico de base populacional para o cancro da mama, do cólon e reto e do colo do útero.

Recentemente, numa consulta, uma doente confidenciou-me que tinha pensado em adiar a mamografia, mas acabou por ir. O exame detetou um tumor agressivo, ainda numa fase inicial. Quando recebeu a notícia, entrou em negação e chegou a ponderar não fazer os tratamentos. Mas acabou por avançar com quimioterapia e o tumor desapareceu. Quando partilhei o resultado, disse-lhe: sou oncologista, mas nem sempre dou más notícias. A deteção precoce não evita o diagnóstico, mas pode transformar o prognóstico, ao permitir tratar com intenção curativa e com mais opções terapêuticas.

A segunda forma de promover um diagnóstico precoce é estar atento aos sinais que o corpo nos dá, bem como aos fatores de risco. É importante não desvalorizar sintomas como perda de peso inexplicada, mudanças persistentes no trânsito intestinal, tosse que não passa, sangue nas fezes ou na urina, um nódulo novo ou uma ferida que não cicatriza. Na maioria das vezes, são situações benignas. Mas “na maioria” não significa “sempre” e, no cancro, o tempo conta.

O que podemos fazer, então, de forma realista? Conhecer os fatores de risco – como história familiar, consumo de tabaco ou de álcool, obesidade ou sedentarismo – e atuar sobre os que podemos modificar; cumprir os exames recomendados; e não normalizar sintomas persistentes.

Alertar para a importância da deteção precoce não implica viver em sobressalto.  Exige, isso sim, tomar decisões informadas, manter uma vigilância adequada e agir a tempo. Porque no caso do cancro, o exame certo no momento certo pode reescrever a história.

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