Há dias, a Professora Universitária Susana Peralta, dizia ter tentado fazer uma lista exaustiva das trapalhadas ligadas aos exames do Secundário. Também eu tentei mas já desisti… Não sei bem se adianta alguma coisa o que ainda vou lembrar sobre os exames, o certo é que, o que escrevo, é mesmo desabafo…
Os exames realizados, foram levados para um armazém de Sintra e começou aí a enorme trapalhada. Provas distribuídas aos classificadores errados, folhas trocadas, folhas desaparecidas, erros nas grelhas de correcção, nas escolhas múltiplas, etc, etc.
Logo aí, o Ministro começou por dizer que esses erros se corrigiam instantâneamente e, apesar dos primeiros sinais de incompetência, da má colocação dos agrafos e outras coisas estranhas, a solução parecia surgir com a revisão dos envelopes dos exames e, mesmo que eu nunca tenha ouvido falar de falhas provocadas por agrafos nas folhas de exame, mesmo que eu nunca tenha sentido nada disso, tendo corrigido centenas de exames, os problemas deste ano com a correcção cresciam, cresciam e o M. E. atirou-se contra todos, libertando-se das próprias culpas… Culpadas as Escolas, os Directores, os Professores, os Pais, tudo e todos responsáveis pela enorme trapalhada que então se vivia. Afinal, esta “Reforma profundíssima” causou um imbróglio enorme e todos parecem culpados neste processo tão moderno e inovador da correcção dos exames nacionais.
E surge então o mais recente porta-voz do PSD, tentando apagar os erros cometidos e apoiando o Ministro, inseguro mas sempre acusador… Também ele, Sebastião Bugalho, sem qualquer experiência na matéria, disparou contra o Júri nacional e quase apagou os problemas do exame de Filosofia de 2025 onde quase tudo já tinha corrido mal…
Entretanto, lentamente, o processo foi andando e Fernando Alexandre foi alternando os ataques e as defesas para o processo de correcção em marcha e foi atacando, foi pedindo desculpa e, com a ajuda do mesmo porta-voz, inexperiente na matéria, foi defendendo o processo, lembrando que é sempre difícil acertar à primeira… Entretanto, a azáfama continuou e, para além da promessa de rigor no processo, os prazos, as novas datas, a revisão das notas, as exigências aos Directores das Escolas, aos professores, tudo isto e muito mais veio alterar significativamente o sossego natural que foi e será sempre indispensável à realização dos exames. Onde tanta coisa, tanta vida, tanto futuro estará sempre em causa!
Afinal, tudo vai andando como M.E. quer e, para além da competência que parecia ter, mostra agora que está a exagerar na teimosia, teimando que o processo siga tal como quer, tomando decisões desajustadas para conseguir o que quer. Ou o que imagina ser mais bonito e mais moderno num processo que teria de ser testado, muito longo e que, muito dificilmente, teria sucesso à primeira vez! Vamos ver no que isso vai dar. Receio bem que, no final, lá para o Outono, haverá gente triste, muito triste, que terá sido vítima da vontade ou teimosia do Ministro da Educação. Para já, não o vejo solidário com ninguém, com quase ninguém. E não me parece que tenha preparado o tal processo inovador. Avaliar é uma coisa muito difícil, muito séria, qualquer coisa que, sem rigor e fundamentação pode afectar alunos, pais e professores… Não se pode jogar assim com gente que trabalhou, que sabe o que quer no futuro… Que pode ser interrompido com esta dança de exames e de correcções. É bonito inovar, mas muita coisa está em jogo nesta missão.
Nada poderá resultar com sucesso se antes não houver uma enorme planificação, uma enorme reflexão… Nunca poderá ser com teimosia ou ambição política que um processo como este possa ter sucesso! A ver vamos…

