Cerca de 2150 alunos regressaram esta terça-feira às aulas, na Escola Secundária de Penafiel. Num misto de angústia e esperança, encaram uma nova realidade, imposta pela pandemia, que obrigou a várias alterações no estabelecimento de ensino.

Estou muito ansiosa, tenho muito receio desta nova realidade, pois não sei se a escola vai conseguir controlar todos os alunos”, desabafou Ana Rita Madureira, de Alpendurada, no Marco de Canaveses. Pela primeira vez nesta escola, a aluna do 10.º ano teme que o distanciamento dificulte a sua relação com os novos colegas.

Também Beatriz Eusébio, de 15 anos vem de Paço de Sousa para Penafiel neste arranque do 10.º ano. Não escondeu o nervosismo, por não saber se as pessoas vão cumprir as regras. “Da minha parte vou fazer tudo o que tenho a fazer. Já percebemos que isto depende da responsabilidade de cada um”.

Mais otimistas em relação a este regresso à escola estão Emília Moreira e o filho Rodrigo Ferreira. “É uma adaptação e acredito que se a escola tiver todos os cuidados, estarão mais seguros aqui do que na rua”, afirmou a mãe. A maior preocupação de ambos prende-se com a questão dos transportes escolares. “Tenho medo da viagem de autocarro, acho que aí vai ser difícil o distanciamento”, frisou o aluno. “Espero que reforcem os transportes escolares, porque os autocarros andam sempre muito cheios”, acrescentou a mãe.

Mas entre medos e ansiedades há também muita esperança e alegria. “Tinha tantas saudades dos meus amigos. Foram seis meses de distância pois quase só falávamos pelo telemóvel”, afirmou Bruno Lopes, de 15 anos, já rodeado de um grupo de amigos, todos eles de máscara, prontos para entrar na escola e cumprir as novas normas a que a pandemia obriga.

As regras neste regresso às aulas na Secundária de Penafiel são muitas e os alunos chegam dispostos a cumpri-las. Diferenciação de entradas e saídas, intervalos e refeições desfasados, assim como o uso de máscara, a desinfeção das mãos e das instalações escolares, são algumas das medidas tomadas. “Está muito bem acautelado o regresso às aulas, mas é uma ansiedade para todos”, declarou ao Jornal IMEDIATO Vítor Leite, diretor da Escola.

Neste primeiro dia de aulas, o diretor ressalvou a necessidade dos alunos de adaptarem aos novos espaços e às novas regras, “queremos que façam os novos percursos acompanhados dos diretores de turma”.

Certo de que “risco zero não existe”, o diretor tem consciência de que as medidas só resultam, “se cada um fizer a sua parte”. Nesse sentido, vão agora trabalhar para conseguir minimizar a presença do vírus na escola. “O mais difícil vai ser a proximidade, mas também faz parte da escola educá-los nesse sentido, que têm deveres para com os outros”, rematou.

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