A segurança do doente pelas suas implicações associadas passou a ser um problema de enorme preocupação de forma que a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a celebrar o dia 17 de setembro como o Dia Mundial da Segurança do Doente.

Esta efeméride tem como objetivo difundir para todo o mundo o conhecimento e as medidas recomendadas de forma a promover e desenvolver medidas para aumentar a segurança do doente e diminuir os danos ou eventos que o doente possa sofrer decorrentes da prestação de cuidados de saúde.

A evolução da Medicina permitiu melhorar as condições de diagnóstico e o tratamento de doenças muito complexas, contribuindo para   melhor saúde da população mundial, quer melhor saúde infantil (diminuindo a morbilidade e mortalidade infantil), melhor saúde da mulher (permitindo melhor assistência na maternidade), maior prolongamento da vida (melhor saúde do idoso).

Mas a complexidade dos tratamentos e das cirurgias trouxe também mais riscos associados aos cuidados de saúde dos doentes.  Basta pensar nos erros medicamentosos, nos erros transfusionais, nos erros associados aos cuidados cirúrgicos, quedas dos doentes hospitalizados, infeções associadas aos cuidados de saúde.

Existe cada vez mais a consciência de que a prestação de cuidados de saúde pode acarretar danos para os doentes. Daí que, na última década, a segurança do doente passou a ser um problema presente no trabalho hospitalar que importa minimizar o mais possível.

São muitas as variáveis envolvidas entre as quais os recursos humanos envolvidos, a metodologia de funcionamento dos hospitais e de toda a sua interação quer económica, quer tecnológica, quer clínica.

Desde o início do ano 2020 os serviços de saúde foram confrontados com novas exigências associadas ao surgimento da Pandemia COVID-19. De forma completamente nova os profissionais de saúde tiveram que se adaptar a toda a problemática que envolve a Humanidade relativamente à abordagem desta pandemia.

Os profissionais de saúde  mais diretamente envolvidos,  em especial os profissionais das Unidades de Cuidados Intensivos, dos Serviços de Emergência, viram-se confrontados com novas questões, e novos desafios,  como o défice de recursos humanos agravado e insuficiente,  reorganização dos serviços e das suas funções, a necessidade de se protegerem também,   com o défice inicial de equipamentos de proteção individual,  a publicação de normas variadas de orientação, algumas delas contraditórias e não adaptadas às especificidades dos locais de trabalho.

Em poucos meses   foram também envolvidos na necessidade de se adaptarem a novas tecnologias tais como teleconsultas, uso de máscaras, com as limitações reconhecidas e com os prejuízos óbvios para os doentes.

Toda esta envolvência vai gerando cansaço, exaustão, angústia dos profissionais, e mesmo medo de também ficarem doentes ou levarem a doença para os seus familiares, inclusivamente com a necessidade de alteração das suas vidas familiares com todo o desequilíbrio emocional associado.

Este impacto nos profissionais de saúde tem tido implicações no aumento do risco clínico, com mais eventos adversos e com consequências mais graves, associado a mais subnotificações na medida em que todo o trabalho está vocacionado para o trabalho assistencial.

Vivemos, portanto, numa época em que  as Instituições de Saúde também têm que se readaptar, devendo ser  dotadas de Serviços de Medicina do Trabalho eficazes e dinâmicos, adaptados às novas realidades  para que possam identificar e cuidar os problemas de saúde dos profissionais  e dar-lhes o adequado apoio psicológico e emocional, de forma a que os profissionais de saúde não se sintam  abandonados, principalmente num momento em que são chamados a intervir com eficácia, melhorando assim a segurança dos doentes que estão a seu cargo.

Para que os profissionais de saúde possam prestar cuidados de saúde com segurança para os doentes é de fundamental importância para os tempos que se avizinham que efetuem a vacina sazonal da gripe em tempo útil e que caso venha a estar disponível vacina anti Covid-19 sejam integrados em lista prioritária.

J. Francisco Pereira da Silva – Médico, Elemento do Grupo de Gestão do Risco Hospitalar do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS, EPE)

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