Instalou-se na nossa sociedade o estigma de que ser político é algo dos outros, cargo político é pecado, quem os ocupa se for incompetente é só Político, se for competente é um Político Corrupto. No entanto, há que perceber de onde surge este estigma, que motivos profundos nos fazem agora ter, no mínimo pudor, em nos assumirmos como políticos.
Para não vender publicidade gratuita a um qualquer partido político, movimento político, ou grupo de salvadores do mundo, unidos para assumir a missão divina de governar e salvar-nos a todos das garras dos “políticos”, vou referir-me a esse conjunto de indivíduos como simplesmente “Grupo”.
O “Grupo”, constituído por elementos puros, percebeu algo que se tornou central na sua ação, desacreditar o sistema permitirá tomar conta do sistema e a melhor forma de o fazer é usar as regras fazendo batota. Há que fazer barulho, muita confusão, não interessa se há ou não condições, se é exequível ou desejável, a lógica é criar assuntos, problemas, discussões, quanto mais fraturantes e inflamatórios melhor! O “Grupo”, está acima de suspeitas porque eles não estão cá para ser avaliados, eles são divinamente nomeados para exporem os Políticos.
O “Grupo”, sabe que os partidos convivem e respeitam as regras democráticas, civilizadas e de urbanidade. Os elementos do “Grupo” já pertenceram a partidos, já tentaram a carreira política noutros lados, mas enfim… acabaram como elementos do “Grupo”, conhecem as regras, por isso a estratégia é simples: jogar sem regras e dividir a sociedade entre os Puros e os Impuros. Na Humanidade já ocorreram vários destes episódios e deles resultaram fenómenos como as Cruzadas, a Inquisição, a Ditadura…
Não são tempos fáceis para quem gosta de estar na política ativa, a estratégia é óbvia, redes sociais, desinformação, confusão e a procura incessante pelo alarido. Neste cenário, a democracia só vai sobreviver se soubermos pôr acima das questões pessoais e partidárias o real interesse do Povo! Os partidos e os seus militantes devem perceber o valor democrático que a militância partidária representa, seja o Partido Comunista ou Iniciativa Liberal. Um partido representa ideias, uma visão do papel do Estado e uma visão da sociedade! Ganhar eleições deve resultar da partilha da visão do papel do Estado, de um projeto de governação, da confiança que as pessoas têm nas capacidades dos candidatos e na vontade de construirmos um mundo melhor!
A alternativa do “Grupo”, que constantemente cria um ambiente de dúvida, suspeita e instabilidade é muito difícil combater politicamente, mas é seu direito comportar-se dessa maneira, o direito das pessoas é escolher quem considerarem mais bem preparado, mais competente, mais experiente, e no fim, ganha quem tem mais votos e não quem tem muitos votos. Quando a real a preocupação dos eleitos for o Povo, os eleitos saberão trabalhar em conjunto.
Por vezes expor a minha opinião publicamente é um risco, o meu desafio é sempre inquietar as vossas ideias e não ser guru de nada nem de ninguém. O sentido das palavras deste texto será sempre dependente da opinião do leitor, e por isso, aquilo que ficar a pensar no fim, dirá tanto ou mais sobre quem leu, que sobre mim.
