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A Ética que Nos Falta

Modelo Opiniao

Há palavras que se desgastam de tanto serem usadas – “transparência”, “integridade”, “responsabilidade”. Soam bem em discursos, brilham em campanhas, mas esbatem-se no dia a dia da política como tinta lavada pela chuva. Fala-se muito de ética, mas pouco se pratica. E, no entanto, nada é mais urgente do que devolvê-la ao centro da vida pública.

A política, por definição, deveria ser o espaço do serviço – a arte de cuidar da coisa pública, de zelar pelo bem comum. Mas quando a ética desaparece, a política transforma-se em mero exercício de poder, em teatro de conveniências, em feira de vaidades. Sem ética, o político deixa de ser servidor e torna-se protagonista; o cidadão, que deveria ser o foco, converte-se em espectador cansado.

O problema é que a ética não se impõe por decreto, nem se ensina apenas em códigos de conduta. É um hábito, um modo de estar. Requer coerência entre o que se diz e o que se faz, coragem para admitir erros e humildade para ouvir os outros. A ética é a política feita com consciência, e a consciência, essa, não se compra nem se troca.

Vivemos tempos em que a desconfiança se tornou quase instintiva. Cada novo escândalo é recebido não com surpresa, mas com resignação. “São todos iguais”, repete-se. E é precisamente essa indiferença que corrói a democracia por dentro. Quando o cidadão já não acredita, desliga-se; e quando o cidadão se desliga, o poder fica entregue a quem menos o merece.

Reerguer a ética na política não é utopia. É necessidade. Começa por gestos simples: transparência real, prestação de contas, respeito pelas instituições, e, sobretudo, exemplo. Porque o exemplo, na política, é o primeiro e o último argumento.

Talvez um dia voltemos a ver a política como um espaço nobre, onde servir é maior do que vencer. Até lá, resta-nos exigir – e praticar – ética, cada um à sua medida. Afinal, a democracia é, também, um espelho de nós.

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