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47 Anos de uma Vida de Quartel: António Barbosa passa ao Quadro de Honra

antonio barbosa
ISCE Douro 2026

O sonho que nasceu ao som da sirene, quando ainda era um menino de 7 ou 8 anos que corria da escola para o quartel, cumpriu-se ao longo de quase meio século. António Barbosa, natural de Paços de Ferreira, despediu-se recentemente do serviço ativo nos Bombeiros Voluntários de Paços de Ferreira, ingressando no Quadro de Honra por imposição legal da idade, aos 65 anos.

A despedida, que aconteceu a 15 de maio de 2026, deixa um misto de emoções: o orgulho do dever cumprido e a inevitável tristeza de quem sente que ainda tinha muito para dar.

Natural de Paços de Ferreira, António Barbosa, de 65 anos, é agora Quadro de Honra dos Bombeiros Voluntários de Paços de Ferreira, depois de 47 anos de dedicação à instituição onde entrou como aspirante e da qual fez parte do corpo de comando durante vários anos.

Ao Jornal IMEDIATO, conta que entrou na corporação com 18 anos, mas o desejo de ingressar os bombeiros já vinha desde lá de trás. “Era um sonho de menino, desde o tempo de escola. Nunca tive ninguém com ligação aos bombeiros, mas foi algo que me inspirou desde miúdo. Com os meus 7 ou 8 anos, ouvia a sirene a tocar e saia da escola para ir até ao quartel ver os bombeiros sair, e a sonhar que um dia ia entrar num carro para socorrer alguém ou para apagar algum fogo”.

E assim foi. Mecânico de profissão, era bombeiro voluntário nas horas vagas e fez carreira na corporação da cidade de Paços de Ferreira. De aspirante passou a bombeiro de 3.ª, de 2.ª e de 1.ª.

Corria o ano de 2000 quando, juntamente com uns amigos, formou uma direção para assumir a liderança da corporação. Foram eleitos e fez quatro mandatos na direção, de 2000 a 2011, com os presidentes Gabriel Alves, Filipe Borges e Zeferino barbosa.

No ano de 2003, com um comando sem quadro de comando, foi convidado pela direção e pelo atual comandante Jorge Rodrigues a fazer parte do comando e assumiu funções de segundo comandante. “Desde esse dia, em 2003, e até agora ao dia 15 de maio de 2026, numa mais deixei o comando”, refere, acrescentando que nunca quis ser comandante – por força do seu trabalho e, depois, da idade – mas que o foi em regime de substituição em 2010 e 2011 e nos últimos cinco anos do seu exercício.

Depois de quase meio século de dedicação aos Bombeiros Voluntários de Paços de Ferreira, e de muitas medalhas e reconhecimentos conquistados, António Barbosa sai com o “sentimento de dever cumprido”, mas também com alguma tristeza, já que entende que “física e psicologicamente, ainda tinha muito para dar à corporação”. “Mas a lei não o permite”, lamenta.

Enquanto bombeiro e elemento do comando teve “muitas vitórias”, quer no socorro, quer no combate a incêndios, mas também teve dissabores. “Dei tudo o que tinha sempre, o melhor de mim, mas houve situações que não dependiam de mim para ter sucesso”, declarou.

Do trabalho realizado, destaca as boas relações entre as direções e o comando, que lhe permitiram, ao longo dos anos, criar melhores condições para os seus bombeiros. “Tudo o que solicitei às direções, seja de proteção individual, socorro, modernização, com maior ou menos dificuldade, nunca me negaram nada”, assegurou.
Agora, António Barbosa saiu, com um “misto de emoções”. A saída é complicada, porque era uma rotina, todos os dias à noite eu ia ao quartel, saía de lado 11, meia noite uma hora, uma rotina que me está a ser difícil adaptar. Se me perguntam se eu posso viver sem os bombeiros, eu poder posso, mas não é a mesma coisa”, concluiu.

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